Em um pronunciamento realizado em suas redes sociais, o presidente ressaltou a capacidade singular de Milton Santos em interpretar a realidade brasileira. Segundo Lula, poucos compreenderam o Brasil e suas complexidades de maneira tão profunda quanto o geógrafo baiano. “Sua obra é uma referência indispensável para entender as desigualdades que emergem da globalização, além dos potenciais transformadores que surgem nas periferias”, afirmou.
O legado de Milton Santos ainda ressoa fortemente nos debates contemporâneos sobre geopolítica e economia. O presidente Lula observou que, em um mundo em constante transformação, seus ensinamentos se sobressaem como relevantes e urgentes, convidando à reflexão sobre as injustiças sociais que se ampliam sob a promessa de progresso e integração.
Milton Santos, que faleceu em 2001, deixou uma obra significativa que continua a influenciar estudos e análises socioeconômicas em nível global. Suas teorias têm sido aplicadas em investigações que vão desde as metrópoles africanas até as principais cidades europeias, evidenciando a universalidade de suas ideias. Em seu livro “Por Uma Outra Globalização: do Pensamento Único à Consciência Universal”, publicado em 2000, ele descreve a globalização como um fenômeno “perverso”, que, embora prometa integração, acaba aprofundando as desigualdades existentes.
O geógrafo destacou em suas obras que a narrativa de um mercado global homogêneo não representa a realidade, uma vez que as diferenças locais são frequentemente exacerbadas. A busca por uniformidade, muitas vezes a serviço de poderes hegemônicos, torna o mundo um lugar mais fragmentado, onde o ideal de uma cidadania global se afasta cada vez mais.
A celebração do centenário de Milton Santos proporciona uma oportunidade valiosa para revisitar e discutir suas contribuições ao entendimento das complexidades sociais, políticas e econômicas contemporâneas.





