JUSTIÇA – MPF busca aumentar indenização para R$ 5 milhões por ofensas da Marinha a João Cândido, líder da Revolta da Chibata, em ação de reparação histórica.

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou um recurso ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região buscando aumentar a indenização por dano moral coletivo, atualmente fixada em R$ 200 mil, para R$ 5 milhões. A ação se refere a manifestações depreciativas da Marinha do Brasil contra João Cândido Felisberto, proeminente líder da Revolta da Chibata, ocorrida em novembro de 1910. Essa revolta foi um marco significativo na luta por dignidade e direitos dos marinheiros, especialmente os de origem negra e parda, que enfrentavam castigos severos, como o uso da chibata.

Na decisão anterior, a Justiça Federal não apenas condenou a União ao pagamento da indenização, mas também impôs a obrigação de não utilizar termos degradantes em relação aos revoltosos. No entanto, o MPF considera que o valor estipulado é desproporcional diante da gravidade histórica e institucional das ofensas proferidas, especialmente em um ofício emitido pelo almirante Marcos Sampaio Olsen durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados em 2024.

A entidade busca que o montante de R$ 5 milhões seja destinado a projetos que valorizem e preservem a memória de João Cândido e da Revolta da Chibata, evidenciando a importância de educar as novas gerações sobre esse capítulo da história do Brasil. Em um discurso que se revela controverso, o comandante da Marinha descreveu a Revolta como uma “deplorável página da história nacional”, e referiu-se aos marinheiros como “abjetos”.

O MPF notou que os ataques não são episódios isolados, mas parte de um longo histórico de perseguição institucional. A entidade mencionou que a resistência enfrentada por João Cândido e seus companheiros é um reflexo de uma opressão que continua até os dias atuais. Apesar de terem sido anistiados pelo Decreto nº 2.280/1910, os marinheiros se depararam com novos desafios poucos dias depois, quando o Decreto nº 8.400/1910 resultou em prisões e deportações, perpetuando o sofrimento e o silenciamento.

A revisão da indenização não busca apenas uma reparação financeira, mas também a promoção de discussões sobre direitos e reconhecimento histórico, abrindo espaço para que a luta por justiça e dignidade continue viva na sociedade brasileira. O MPF espera que o tribunal atente para essas questões de forma a restaurar a honra e a memória dos que se levantaram contra as injustiças do passado.

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