A pesquisa, intitulada “Adolescência Sem Filtro”, demonstra que 71% dos jovens acreditam na permanência da internet, embora com mudanças necessárias, enquanto apenas 9% defendem o seu fim. Segundo especialistas do Instituto Alana, que encomendou o estudo, os resultados refletem um reconhecimento por parte dos adolescentes sobre os aspectos negativos da internet e uma vontade de aprimorar esse espaço virtual.
Embora a maioria dos jovens utilize a internet para entretenimento — 71% mencionaram essa atividade —, também expressam uma consciência crítica sobre os perigos que o ambiente digital pode oferecer. Quase metade dos entrevistados, 49%, considera que as plataformas devem trabalhar para garantir uma experiência online mais segura e responsável. Além disso, 43% pedem um maior controle sobre essas plataformas.
Os participantes revelaram que, mesmo que 44% deles já tenham bloqueado conteúdos prejudiciais e 32% façam pausas durante o dia, 41% se sentem dependentes de seus celulares, e 39% acreditam que a internet prejudicou seu desempenho nos estudos. A especialista Gabriela Barbosa, do Instituto Alana, destacou essa dualidade de sentimentos. Para ela, a preocupação com o tempo gasto online é evidente, assim como a busca por uma proteção ativa contra conteúdos nocivos.
As redes sociais emergem como a principal atividade online para os jovens, com 46% dos respondentes acessando-as diariamente. Essa dinâmica destaca uma diferença de gênero: homens tendem a utilizar a internet para jogos (66%), enquanto mulheres se conectam mais para se comunicar (64%) e estudar (60%).
A abordagem da pesquisa foi inovadora ao envolver adolescentes como entrevistadores, permitindo uma comunicação mais aberta e autêntica. Essa estratégia foi fundamental para captar as verdadeiras percepções dos jovens sobre a internet, livre de uma visão adultocêntrica.
Por fim, a pesquisa não apenas evidencia a criticidade dos adolescentes, mas também demonstra a disposição deles em participar ativamente de mudanças. Com 69% afirmando que estariam abertos a receber ajuda para lidar com a dependência digital, o Instituto Alana lançou a nona edição do Prêmio Criativos. A iniciativa convida jovens de todo o Brasil a desenvolver projetos que visem tornar a internet um espaço mais seguro e acolhedor. As inscrições se encerram em 2 de setembro, com prêmios que totalizam R$ 12 mil para as melhores iniciativas.
