Especialistas e entidades ligadas à defesa dos direitos humanos estão preocupados com o que consideram um cenário preocupante em relação à segurança pública. O levantamento das mortes em decorrência de ação policial foi realizado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), que recentemente divulgou um relatório abrangente. O Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp) é o responsável por compilar e divulgar esses dados, recebidos diretamente das polícias Civil e Militar.
O ouvidor da Polícia de São Paulo, Mauro Caseri, criticou a falta de políticas efetivas de saúde mental para os policiais, afirmando que isso, somado à pressão decorrente de salários baixos e jornadas excessivas, tem gerado um ambiente propício para ações violentas. Ele defendeu uma abordagem mais humana na polícia, alegando que é inaceitável criar uma instituição que priorize o confronto em vez da resolução pacífica de conflitos.
Adilson Santiago, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), também levantou sua voz em oposição ao aumento da letalidade policial. Para ele, esse é um indicativo de uma crise mais profunda na segurança pública do estado, onde as comunidades mais vulneráveis e marginalizadas são as mais afetadas. Santiago destacou a necessidade de uma formação mais adequada e consciente para os policiais, a fim de evitar a perpetuação de um ciclo de violência.
Os dados são ainda mais alarmantes se comparados ao governo anterior, quando a letalidade policial esteve em queda. De 2019 a 2022, o número de mortes por policiais militares em serviço caiu de 720 para 262, representando uma redução significativa. No entanto, desde a atual gestão, a letalidade policial tem aumentado a passos largos, com 357 mortes registradas em 2023 e 653 em 2024.
O ouvidor Caseri enfatizou que esse aumento não deve ser visto como um reflexo da eficiência policial, mas sim como um sinal de que há problemas estruturais que precisam ser abordados. Para ele, é essencial que se implementem medidas urgentes que incluam a melhoria das condições de trabalho dos policiais, o uso eficaz de câmeras de vigilância e a revisão das práticas operacionais e dos protocolos de uso da força.
Por fim, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que todas as ocorrências de mortes em intervenções policiais são rigorosamente investigadas e que diversas medidas estão sendo adotadas para reduzir a letalidade, incluindo a ampliação do uso de tecnologias menos letais e o treinamento contínuo dos agentes. Contudo, a crescente preocupação com a violência policial e a falta de um modelo adequado de segurança pública continuam a ser debatidas nas esferas sociais e políticas do estado.
