Novas Medidas da Receita Federal Buscam Combater Pirataria e Irregularidades no Comércio Exterior
A Receita Federal está prestes a implementar uma série de mudanças significativas para aprimorar o controle sobre as encomendas internacionais que chegam ao Brasil. O novo sistema, denominado Remessa Conforme 2.0, será ativado ainda neste ano e visa excluir plataformas de comércio eletrônico que permitirem a venda de produtos subfaturados, falsificados ou que apresentem outras ilegalidades.
Fabrício Betto, coordenador de Administração Aduaneira da Receita, anunciou essas novas diretrizes em uma audiência pública da comissão externa da Câmara dos Deputados, onde o tema central foi a pirataria. Betto revelou que a Receita utilizará tecnologia de inteligência artificial para analisar o conteúdo das encomendas. Por meio de scanners, as imagens dos pacotes serão comparadas com as descrições feitas pelos compradores. As empresas que não atingirem um nível de conformidade acima de 98% serão removidas do programa Remessa Conforme.
O coordenador destacou que as plataformas também têm interesse em identificar vendedores fraudulentos, citando o exemplo de camisetas falsificadas de clubes esportivos. Ele mencionou a complexidade do processo de apreensão dessas mercadorias em um cenário em que quase 200 milhões de pacotes estão em circulação, enfatizando a necessidade de colaboração entre as plataformas e a Receita.
A inovação introduzida pelo Remessa Conforme 2.0 busca estabelecer um canal direto de comunicação entre a Receita Federal e as plataformas de vendas, com o objetivo de garantir uma avaliação prévia dos produtos antes de seu envio ao Brasil. Essa medida é especialmente relevante considerando o aumento das remessas internacionais, que cresceram 30% desde a retomada da isenção tributária para pequenas compras em maio.
Além disso, o novo sistema também promete reduzir os vazamentos de dados pessoais dos destinatários, que frequentemente se tornam alvos de fraudes. Em uma abordagem que vai além da tecnologia, o deputado Julio Lopes (PP-RJ) enfatizou a necessidade de uma ação integrada entre diferentes órgãos públicos para combater a pirataria, mencionando especialmente o problema dos produtos agrícolas que desrespeitam normas regulatórias.
Com o número de pacotes recebidos do exterior saltando de 30 milhões em 2019 para mais de 200 milhões em 2023, a Receita Federal prevê uma arrecadação recorde para este ano, equivalendo a 10% do volume total de importações do país, representando cerca de R$ 5 bilhões. No entanto, especialistas já expressam preocupação com o impacto da alta carga tributária sobre o comércio, que pode estimular a venda de produtos ilegais.
A implementação dessas medidas representa não apenas um avanço na luta contra a pirataria, mas também uma nova era de colaboração entre órgãos públicos e plataformas de comércio eletrônico, visando garantir um mercado mais seguro e transparente para todos.
