No dia 7 de julho de 2026, uma audiência pública convocada pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados abordou a urgente intersecção entre a preservação do patrimônio cultural e as mudanças climáticas. Especialistas presentes no evento alertaram para os riscos iminentes que diversas regiões do Brasil enfrentam devido a fenômenos climáticos extremos, como a destruição das paisagens culturais do Pantanal, deslizamentos na Mata Atlântica e a desertificação da Caatinga. Esses desafios ressaltam a necessidade imperativa de abordagens que protejam e salvaguardem não apenas a herança cultural, mas também os territórios que a sustentam.
Os debatedores enfatizaram a relevância da criação da Carta Brasileira do Patrimônio Cultural e Mudanças Climáticas, um documento que não visa apenas a proteção de bens materiais, mas também se propõe a ser uma fonte dinâmica de conhecimento e tecnologia social. Luana Campos, representante do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios – Brasil, sublinhou o fato de que a elaboração da carta contou com a colaboração de mais de 300 instituições, embora ainda exista um descompasso na compreensão social acerca da conexão entre patrimônio e clima.
O deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ) apontou que os desastres climáticos ameaçam não apenas estruturas físicas e sítios arqueológicos, mas também conhecimentos e saberes que são fundamentais para a vida de diversas comunidades. Ele destacou a gravidade da situação atual, sugerindo que o colapso ecológico já está em curso e que a urgência de resposta não deve ser subestimada. Para Motta, é essencial que a Comissão de Cultura desenvolva mecanismos de prevenção e mitigação voltados especialmente às sociedades mais vulneráveis.
Deyvesson Gusmão, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), relatou que o órgão está buscando fortalecer a integração do patrimônio cultural nas políticas de proteção civil. Ele ressaltou que ações de preservação e adaptação estão sendo implementadas em conjunto com o planejamento da Defesa Civil. Inamara Melo, do Ministério do Meio Ambiente, complementou que a formulação de políticas públicas precisa considerar a emergência climática que o Brasil enfrenta, já que mais de 84% dos municípios foram impactados por desastres climáticos na última década.
Todos os presentes concordaram sobre a necessidade de não apenas obter financiamento para ações de preservação ambiental, mas também de realizar adaptações que visem mitigar os efeitos das mudanças climáticas e promover a sustentabilidade. Essa discussão é um passo crítico para garantir que o patrimônio cultural brasileiro seja protegido em um contexto de crescente vulnerabilidade ambiental.





