Mucosite Oral: Um Desafio na Vida de Pacientes Oncológicos
A mucosite oral é uma condição que pode impactar severamente a qualidade de vida dos pacientes em tratamento contra o câncer. Este problema, frequentemente causado por quimioterapia e radioterapia, se apresenta com sintomas que vão de vermelhidão e inchaço até feridas abertas na mucosa da boca. Isso não apenas dificulta atos simples como falar e se alimentar, mas também pode gerar infecções locais e sistêmicas, agravando o estado de saúde do paciente.
Para aumentar a conscientização sobre essa condição, o Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI) está promovendo a campanha Julho Bordô. Essa iniciativa busca informar tanto pacientes quanto a sociedade sobre a importância da prevenção e do tratamento eficaz da mucosite. Segundo especialistas, a incidência da mucosite oral é alarmante: até 100% dos pacientes que passam por radioterapia na região da cabeça e pescoço podem ser afetados. Já aqueles que recebem quimioterapia em altas doses têm uma chance de 60% a 90% de desenvolver o problema. Os sintomas costumam aparecer entre cinco a dez dias após o início da terapia.
Odineia Sousa Sobrinho, uma paciente de 67 anos, compartilha sua experiência: “Após a vigésima-segunda semana de quimioterapia, o que era para ser um tratamento se tornou um suplício. Primeiro, senti queimação na boca e uma sensibilidade extrema, a ponto de não conseguir tocar alimentos frios ou quentes. Isso culminou em hospitalização devido à desidratação”, relata Odineia.
Os profissionais de saúde alertam que a mucosite oral aumenta o risco de sepse, especialmente em pacientes com imunidade comprometida, condição comum entre os oncológicos. Além do incômodo físico, as lesões na boca podem levar à interrupção do tratamento oncológico, precipitando um agravamento no prognóstico.
Diante da gravidade da situação, o tratamento da mucosite oral é complexo. Não há cura específica, mas a estratégia principal é a prevenção. A combinação de profissionais de diversas áreas—como odontologia oncológica, nutrição e enfermagem—garante um atendimento integrado que prioriza a saúde do paciente.
Uma das abordagens adotadas no HU-UFPI é a laserterapia de baixa potência, que tem se mostrado eficaz tanto na prevenção quanto no tratamento da mucosite. Segundo especialistas, a adoção de medidas preventivas, como a avaliação odontológica antes do início do tratamento oncológico e práticas rigorosas de higiene oral, pode fazer a diferença.
Higiene oral adequada, hidratação constante, e o uso de gelo durante a infusão de quimioterápicos são algumas das recomendações. Evitar alimentos ácidos, quentes ou irritantes, assim como hábitos nocivos, pode minimizar o risco de desenvolvimento da doença.
O Serviço de Odontologia Oncológica do HU-UFPI está disponível para atender não apenas pacientes da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON), mas também aqueles regulados pelo SUS de outras unidades de saúde. Essa iniciativa não só busca proporcionar alívio imediato, mas também um suporte emocional e cuidadoso durante a jornada difícil que é o tratamento oncológico.
