Brasil continua fora do Mapa da Fome, aponta relatório da FAO
Em um cenário de avanços significativos, o Brasil permanece fora do Mapa da Fome, conforme revela o mais recente relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Este documento, que abrange dados do triênio 2023-2025, foi divulgado na terça-feira e destaca tanto avanços na segurança alimentar do país quanto a melhoria de indicadores preocupantes.
No Brasil, a proporção da população que não consegue obter calorias suficientes para uma vida saudável se mantém abaixo de 2,5%, de acordo com o indicador de Prevalência de Subnutrição (PoU) utilizado pela FAO. Essa marca é um dos critérios para que um país seja considerado fora do mapa da fome. O relatório também revela uma notável redução na insegurança alimentar severa, que caiu para 0,6%; cerca de 16,7 milhões de brasileiros deixaram de viver sob esta condição alarmante.
A estrutura que possibilita essas melhorias é o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan). Este sistema promove ações integradas que envolvem proteção social, transferência de renda e acesso ao crédito agrícola, permitindo um fortalecimento das políticas de segurança alimentar e nutricional no país. O Brasil, portanto, demonstrou ser um exemplo positivo em relação à promoção de uma alimentação saudável, com um custo médio de dieta saudável estimado em US$ PPC 4,89 por pessoa por dia. Este valor é inferior ao verificado na média da América do Sul e da América Latina e Caribe, que é de US$ 4,94 e US$ 4,91, respectivamente.
Os resultados observados no Brasil são um reflexo de indicadores macroeconômicos, conforme os dados coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos últimos três anos, o Produto Interno Bruto (PIB) do país apresentou crescimento, com taxas de 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025. A taxa de desemprego em 2025 foi de 5,6%, e o rendimento mensal per capita alcançou R$ 2.264, evidenciando uma recuperação econômica gradual.
Internamente, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de Alimentos para 2025 foi de 2,95%, e a inflação média anual para alimentos no triênio foi de 3,8%. Esses números indicam um cenário de certa estabilidade no contexto alimentar.
Globalmente, o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo” destaca que 7,8% da população mundial enfrentou a fome em 2025, uma diminuição em relação aos 8,1% de 2024 e 8,6% de 2022. Essa redução implica que aproximadamente 645 milhões de pessoas passaram fome, o que representa uma queda significativa de quase 14 milhões em relação ao ano anterior.
Em síntese, a combinação de políticas efetivas de segurança alimentar, um contexto econômico favorável e medidas integradas é o que possibilita ao Brasil a manutenção de índices positivos neste campo vital. O país serve como referência para outros em desenvolvimento, demonstrando que, por meio de um planejamento estratégico e coordenado, é possível avançar na luta contra a fome e promover uma alimentação saudável.
