A adaptação teatral busca não só apresentar o Quilombo dos Palmares como um marco na construção da identidade brasileira, mas também incitar reflexões críticas sobre questões contemporâneas, como o racismo estrutural. O livro de Ivan Alves Filho, resultado de cinco décadas de pesquisas, é uma referência essencial sobre o quilombo que abrigou cerca de 20 mil pessoas diversas, destacando-se pelo seu rigor histórico.
A ideia do monólogo surgiu durante uma conversa entre o autor e o ator Déo Garcês, conhecido por seus papéis de destaque em produções antirracistas no teatro, cinema e televisão. Garcês, que já interpretou personagens emblemáticos em novelas como “Xica da Silva” e “A Escrava Isaura”, pretende criar uma entrega imersiva no palco, explorando a ancestralidade e a mística de figuras históricas, como Zumbi.
A direção ficará a cargo de Soraia Arnoni, com produção de Rafael Lydio. O projeto almeja conectar a história afro-brasileira à narrativa antirracista, entrelaçando paixão e precisão histórica. Garcês destaca a importância de trazer à tona a profundidade dos heróis e heroínas de Palmares, frequentemente invisibilizados nos registros oficiais.
A nova edição de “Memorial dos Palmares” é uma celebração da cultura afro-brasileira, servindo como um resgate da cidadania ao iluminar a luta por justiça e liberdade. Maurício Bugarim, diretor-presidente da Imprensa Oficial, enfatiza o compromisso de preservar as raízes culturais e a ancestralidade daqueles que se ergueram contra a opressão. A expectativa é que essa adaptação teatral proporcione uma experiência enriquecedora para o público, reafirmando a relevância histórica e cultural de Palmares.
