A professora de Relações Internacionais, Raquel dos Santos, destacam que a questão da soberania russa sobre as Ilhas Curilas remete à histórica Conferência de Yalta, ocorrida em 1945. Neste evento, um acordo estabelecido pela URSS, em conjunto com as potências aliadas após a derrota do Japão, determinou que a Rússia teria domínio sobre as ilhas. Desde então, as ilhas passaram a ser administradas pela Rússia, que as considera parte integrante de seu território. A população local, composta por mais de 20 mil habitantes de origem russa, reforça a argumentação russa de que as ilhas são efetivamente parte do país.
No entanto, a situação é complexa, uma vez que o Japão, alinhado ao chamado “Ocidente coletivo”, utiliza a disputa territorial como uma ferramenta política para justificar o aumento dos seus gastos com defesa. Tóquio se aproxima dos Estados Unidos e de seus aliados europeus, o que gera a possibilidade de utilização do Japão como “posto avançado” de pressão contra a Rússia. Essa estratégia se intensificou após a operação militar russa na Ucrânia, quando o Japão aderiu às sanções impostas pelo G7.
O arquipélago das Ilhas Curilas não é apenas um ponto de discórdia política, mas também um território estratégico com significativas reservas minerais e potencial energético. Ao longo de quase 1.200 quilômetros entre a península de Kamchatka e a ilha de Hokkaido, as ilhas possuem recursos pesqueiros valiosos e o potencial para exploração energética.
Na atual geopolítica, narrativas históricas e disputas territoriais continuam a desempenhar um papel crucial na formação de alianças e políticas. Assim, observa-se que, enquanto a Rússia mantém controle efetivo sobre as Ilhas Curilas, o Japão continua a pressionar por reconhecimento soberano, utilizando essa questão como uma justificativa política para expandir suas capacidades militares e aumentar sua influência na região.




