Tarcísio avalia erro estratégico do PT ao reivindicar coautoria de obras em campanha para reeleição e tenta minimizar nacionalização do discurso.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, manifestou a seus assessores que a estratégia do PT, liderada pelo pré-candidato Fernando Haddad, de reivindicar a coautoria de obras entregues em sua gestão é um “erro estratégico”. Tarcísio acredita que essa narrativa não será bem recebida pela população, que perceberá as realizações de sua administração como autênticas, sem que se possa desmerecer o trabalho realizado sob sua gestão.

Em sua avaliação, o PT estaria se aproveitando de aportes federais, particularmente aqueles feitos pelo BNDES em projetos emblemáticos como o trecho norte do Rodoanel e a Linha 17 do Metrô, para se apropriar da “paternidade de operações de crédito”. O governador, portanto, busca evitar que a campanha eleitoral se transforme em uma batalha nacional em vez de se concentrar nos feitos locais, uma estratégia que o PT, ao que parece, pretende explorar.

Na sua pré-campanha, Haddad já tem enfatizado que as obras realizadas por Tarcísio são fruto de investimentos federais. Em um vídeo recente, ele afirmou que “nunca um governo federal trabalhou tanto por São Paulo” e destacou a importância dos repasses federais e financiamentos do BNDES para a efetivação desses projetos. Lula também entrou na discussão, acusando Tarcísio de ocultar a contribuição do governo federal nos empreendimentos estaduais.

Tarcísio, por sua vez, parece determinado a focar a campanha em questões típicas de São Paulo, apesar de suas críticas ao trabalho de Haddad no Ministério da Fazenda. Para coordenar seu plano de governo, ele recorreu à secretária Natália Resende, reconhecida como uma figura técnica chave em sua gestão.

A eleição em São Paulo é vista como um ponto estratégico para o PT, que já está mobilizando equipes para levantar temas que possam minar a credibilidade do governador. Entre os tópicos de potencial exploração está o escândalo do Banco Master, que já causou repercussões negativas ao governo federal. O PT quer vincular Tarcísio a doações de grandes quantias feitas por aliados do banqueiro envolvido no escândalo, argumentando que há conexões com o bolsonarismo.

Em resposta, Tarcísio deve ressaltar que recebeu apoio de mais de 700 doadores individuais e que não tinha conhecimento das conexões de seus financiadores até que o escândalo emergiu nas mídias. Ele também tentará distorcer a narrativa ao apontar que sua administração não realizou transações com a instituição envolvida na controvérsia, ao contrário do que ocorreu com outras gestões. Assim, a disputa promete ser acirrada, refletindo as complexidades da política paulista em um cenário eleitoral repleto de desafios e estratégias conservadoras.

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