Os vídeos mostram especificamente jacarés-do-papo-amarelo, uma espécie nativa que, segundo o especialista Marcos Traad, zootecnista e diretor de Educação e Conservação da Biodiversidade do Grupo Cataratas, já habita naturalmente os ecossistemas locais. Traad destaca que esses animais transitam por canais e lagoas, adaptando-se a uma realidade onde proliferam em meio a ambientes considerados insalubres.
A situação, apesar de inusitada, não é resultado de um fenômeno recente. O especialista explica que, com a falta de infraestrutura de saneamento básico e o despejo de esgoto, a interação entre humanos e jacarés se tornou inevitável. Ele alerta que o verdadeiro risco não reside na presença dos répteis, mas nas condições de saúde pública criadas pela inexistência de saneamento adequado. “O que é lamentável é a falta de infraestrutura de saneamento, que não oferece um ambiente salubre nem para a população nem para os animais”, afirma Traad.
Ainda que muitos internautas demonstrem medo da proximidade desses animais, Traad esclarece que os ataques a humanos são raros e geralmente ocorrem quando os jacarés são provocados ou surpreendidos. “O risco aos cidadãos é muito pequeno”, assegura. Contudo, ele enfatiza que o contato próximo com os jacarés pode ser perigoso, especialmente em ambientes contaminados, uma vez que uma mordida pode causar infecções graves devido às bactérias presentes tanto na boca do animal quanto na água poluída.
Quanto à remoção dos jacarés, o especialista recomenda que essa tarefa não deve ser feita por moradores ou curiosos, já que esses animais fazem parte do equilíbrio ecológico da região. “O homem é que invadiu o espaço da fauna existente. É fundamental promover uma convivência harmoniosa e investir na educação da população para que não importune os animais”, afirma Traad. Em caso de necessidade de remoção, ele sugere entrar em contato com órgãos competentes como o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar Ambiental.
A presença crescente de jacarés em áreas urbanas é um reflexo da expansão das cidades sobre ambientes naturais. A chave para uma convivência pacífica, segundo o especialista, passa pela conscientização da população sobre a importância da preservação da fauna nativa e da prevenção de acidentes.
