STF Autoriza Operação da PF em Caso de Suposta Fraude em Investimentos do Iprev de Maceió com Bloqueio de Bens de até R$ 97 Milhões

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a realizar operações em um caso que envolve os investimentos do Iprev de Maceió no Banco Master. O inquérito investiga alegações de gestão fraudulenta, desvio de recursos públicos, lavagem de capitais e organização criminosa ligada às aplicações do fundo previdenciário em Letras Financeiras do Banco Master. Essa operação afunila em uma lista de oito pessoas que estão sob investigação, com medidas que incluem buscas e apreensões e o bloqueio de bens no valor total de até R$ 97 milhões.

Entre os investigados, destaca-se Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do Iprev, cuja assinatura era necessária para autorizar os investimentos. A Polícia Federal busca entender a extensão de seu conhecimento sobre falhas nas análises técnicas e a concentração de recursos em um único emissor, além de movimentações financeiras que parecem não corresponder aos seus rendimentos declarados.

Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, identificado como o “gatekeeper técnico”, encerra-se na trama como coordenador responsável por receber e analisar propostas de investimento. A investigação examina se sua atuação foi fruto de negligência ou se ele estava sob pressão para aprovar aplicações sem a devida diligência.

Outro nome em evidência é Renan Foglia Calamia, representante da consultoria Crédito & Mercado, que assessoria o Iprev. A PF investiga se a empresa manipulou análises técnicas de forma a favorecer o Banco Master, buscando evidências de pareceres conduzidos de maneira imprópria ou omissões deliberadas.

Marília Alexandre de Lima Alves e Marcelo Brasileiro Santos, ambos envolvidos em deliberações sobre os investimentos, também estão sendo investigados em relação à conformidade das decisões tomadas e às regras estabelecidas na Política Anual de Investimentos do Iprev. A PF examina se houve pressões para a aprovação de investimentos que desconsideravam normas internas.

Os casos de João Felipe Alves Borges, atual secretário municipal da Fazenda, e Guilherme Emmanuel, atual presidente do Iprev, também suscitam análise. A investigação não aponta conclusões definitivas, mas busca esclarecer a participação de ambos nas decisões que envolvem os controvertidos investimentos.

Embora o STF tenha autorizado a busca e apreensão em seis dos oito investigados, pedidos de afastamento de função pública feitos pela PF não foram acatados por André Mendonça, justificando que não há indícios concretos que justifiquem tal medida no atual contexto. Com isso, a investigação continua, ainda pautada por indícios e hipóteses, sem implicar condenações.

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