
O mês de setembro é dedicado à campanha intitulada Setembro Verde, que reforça a importância sobre a doação de órgãos. No Brasil, em 2021, houve uma queda de 26% no número de doadores de órgãos, em decorrência da pandemia do novo coronavírus, uma vez que o diagnóstico positivo para a Covid-19 é contraindicação para doação.
Além disso, a recusa familiar também representa um grande obstáculo para que o Brasil atinja a meta anual de doações de órgãos. Em Alagoas, em média, 40% das famílias se recusaram a doar órgãos de seus parentes falecidos após morte encefálica comprovada, em 2020.
E para desmistificar os tabus que envolvem o processo de doação de órgãos, bem como, para qualificar os profissionais de saúde a respeito desse tema, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) está promovendo, desde o dia 9 de setembro, lives, cursos, debates e ações educativas voltadas à doação de órgãos.
As atividades da programação são voltadas para médicos, profissionais das Comissões Intra Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTTs) e população em geral, que terão a oportunidade de aprender e debater temas como entrevista familiar para doação de córneas, comunicação de más notícias, importância da doação de órgãos e determinação de morte encefálica.
Orientações sobre transplante de órgãos
- No Brasil, para ser um potencial doador de órgãos, basta comunicar a família sobre o desejo, não sendo mais obrigatório deixar isso registrado na Carteira de Identidade.
- Para ser realizado o transplante de órgãos, além da autorização familiar, precisa ser constatada a morte encefálica do doador, que a é a parada irreversível da função do encéfalo, ou seja, é quando o cérebro para de funcionar. A morte cerebral permite a doação de órgãos e tecidos, mas a morte cardíaca, só a doação de tecidos.
- Qualquer pessoa pode ser doadora, exceto os portadores de doenças infecciosas ativas ou de câncer. E a doação não desfigura o corpo do doador.
- Para doadores vivos, o doador deve ter mais de 18 anos de idade e o receptor deve ser cônjuge ou parente consanguíneo até quarto grau (pais, filhos, irmãos, avós, tios ou primos). Se não houver parentesco, será preciso autorização judicial.
- A doação de órgão e tecidos não acarreta nenhum custo ou ganho material à família do doador nem do receptor.
Balanço – Conforme dados da Central de Transplantes de Alagoas, o Estado realizou 41 transplantes este ano, sendo 39 de córnea e dois de fígado. Com relação à fila de espera, atualmente há 324 alagoanos aguardando por um transplante de córnea, 121 por um de rim, três por um novo coração e um por um fígado.
Os órgãos são transplantados nos primeiros pacientes compatíveis, que estão aguardando em uma lista única da Central de Transplantes de cada estado. A lista é controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e supervisionado pelo Ministério Público (MP).
