A reação de Motta, procurado para comentar a situação, ainda não foi divulgada. Pouco antes, em um pronunciamento, o presidente da Câmara havia descrito a decisão de Dino, que resultou no bloqueio de bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, como uma tentativa de criminalizar a política.
O documento que embasou a análise da PF destaca a possibilidade de que Fialek atuasse sob ordens diretas do presidente da Câmara, intensificando um quadro de “promiscuidade” nas deliberações relacionadas ao orçamento secreto. A Polícia Federal disse que as evidências coletadas, incluindo gravações de conversas entre Tuca e Cunha, são reveladoras. Elas indicam que Cunha, mesmo fora do mandato, teria exercido influência significativa sobre o direcionamento de recursos federais, sem qualquer respaldo institucional.
Os investigadores destacam que esse cenário configura um grave desvio de finalidade, onde emendas, que deveriam ser utilizadas para atender demandas legítimas de representantes eleitos, acabam sendo manipuladas em favor de uma estrutura informal, gerida por indivíduos que não estão mais sujeitos ao escrutínio do eleitorado e das normas republicanas.
A decisão de bloquear até R$ 6,15 milhões em bens de Eduardo Cunha se relaciona a uma investigação sobre desvios nas emendas da Comissão de Saúde da Câmara. Essa medida, datada de 6 de julho, também suspendeu a execução de quaisquer despesas públicas ligadas a essas emendas suspeitas. É importante notar que todas as emendas identificadas pela PF foram empenhadas no final de 2025, período em que Hugo Motta já ocupava a presidência.
Ao analisar diálogos em aplicativos e outras trocas de informações entre os investigados, Flávio Dino observou que Eduardo Cunha parece ter atuado como um mandante na realocação de recursos públicos, especialmente com vistas à sua campanha ao cargo de deputado federal por Minas Gerais. Neste contexto, Motta se manifestou em defesa da atividade política, alegando que a Polícia Federal estaria promovendo um cerco à legitimidade da política. Dino, por outro lado, alertou que a falta de rastreabilidade financeira poderia indiciar a ocorrência de peculados ou desvios.
