O Senado brasileiro se destaca na cena literária e acadêmica ao ver uma de suas publicações ser indicada como finalista da 3ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico. O livro intitulado Cuidando da Nossa Terra: Experiências Wayana e Aparai de gestão territorial e ambiental na Amazônia concorre na categoria de ciências agrárias e ciências ambientais. Esta obra, que pode ser acessada gratuitamente online, é resultado da tese de doutorado de Iori Leonel Arnoldo Hussak Van Velthem Linke.
Em suas páginas, Iori Linke explora a Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial de Terras Indígenas, detalhando a implementação dessa política pelos povos indígenas Wayana e Aparai. O autor leva o leitor a um mergulho na formação histórica dessas comunidades nativas, abordando a autonomia no direito à terra e sua gestão. Além disso, ele discute a importância dos Wayana e dos Aparai na conservação ambiental da Amazônia, enfatizando seus conhecimentos tradicionais e modos de vida sustentáveis.
Esther Bemerguy, vice-presidente do Conselho Editorial do Senado, ressaltou a relevância da pesquisa que fundamentou o livro, desenvolvida na Universidade Federal do Pará (UFPA). Ela destacou que os povos de língua karib, que inclui tanto os Wayana quanto os Aparai, habitam uma vasta região que cobre partes do Amapá e Roraima, assim como o norte do Pará e áreas vizinhas na Guiana, Suriname e Guiana Francesa, há mais de 400 anos.
A dedicação de Iori Linke à pesquisa sobre essas comunidades é impressionante, completando mais de duas décadas de estudos que entrelaçam aspectos de história, ecologia, cultura e política em uma narrativa abrangente e sensível. O livro se estende por 400 páginas, ricas em texto, imagens, figuras e mapas que somam à profundidade da obra.
Este livro integra a Coleção COP 30, uma iniciativa do Conselho Editorial do Senado, lançada durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que ocorreu no ano passado em Belém. O Prêmio Jabuti Acadêmico, criado em 2024, é destinado às áreas científicas, técnicas e profissionais, e neste ano, houve uma impressionante participação com 2.085 inscrições. A seleção dos finalistas leva em consideração a relevância científica, a qualidade editorial e o potencial impacto das obras.
Acerar o foco na proteção ambiental e das culturas nativas é um passo fundamental, e a cerimônia de premiação, marcada para esta terça-feira (11) no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, promete ser um momento de reconhecimento não apenas da literatura acadêmica, mas também do valor das vozes indígenas na gestão e proteção da Amazônia.




