O senador Astronauta Marcos Pontes, que preside a audiência, ressaltou que a pandemia de covid-19 expôs a fragilidade da infraestrutura de saúde brasileira e a urgência de se investir na produção local de vacinas. Ele observou que “desenvolver vacina no Brasil é extremamente importante; isso não pode ficar na mão de outros países num momento crítico”. Pontes enfatizou ainda a excelente logística do Sistema Único de Saúde (SUS), que consegue fornecer vacinas em áreas remotas, mesmo quando há desafios relacionados ao transporte, como a necessidade de temperaturas específicas.
O diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti Fernandes, reafirmou o compromisso do governo em garantir vacinação em todo o território nacional. Ele ressaltou a importância de parcerias com laboratórios como o Instituto Butantan e o Bio-Manguinhos, fundamentais na produção de vacinas contra doenças como a gripe e o sarampo. Eder alertou para a necessidade de vigilância no desenvolvimento de vacinas, citando modelagens que indicam um alto risco de novas pandemias nos próximos 30 anos.
Durante a discussão, Thais Haline Vaz Sousa, representante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, apontou um incremento significativo no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que passou de R$ 7,2 bilhões em 2020 para uma previsão de R$ 17,7 bilhões em 2026.
Contudo, o coordenador do Centro de Tecnologia de Vacinas da UFMG, Ricardo Gazzinelli, divulgou informações preocupantes sobre os obstáculos enfrentados no desenvolvimento de vacinas, incluindo a lentidão dos processos nas agências regulatórias. Ele citou uma nova lei aprovada em 2024, que visa acelerar procedimentos, mas lembrou que a inovação brasileira ainda enfrenta um caminho mais difícil em comparação com a agilidade mostrada em inovações estrangeiras.
Anderson Vezali Montai, gerente-geral da Anvisa, defendeu a necessidade de um processo regulatório robusto para garantir a segurança e eficácia das vacinas, enfatizando que a aprovação mais rápida de inovações internacionais não deve comprometer a qualidade.
O Instituto Butantan, com 125 anos de história, continua a ampliar sua capacidade de produção, incluindo novos anticorpos monoclonais. Seu diretor, Esper Georges Kallás, destacou que a instituição está investindo em vacinas contra o vírus Zika e a gripe aviária, reafirmando o compromisso do Brasil em trilhar um caminho de inovação na saúde pública.
A audiência também contou com a presença de especialistas como Adriana Battaglia, da Finep, e Manoel Barral Netto, da Academia Brasileira de Ciências, que contribuíram com suas visões sobre a importância da pesquisa e desenvolvimento no contexto da imunização. Essas discussões indicam um movimento crescente em direção a um sistema de saúde mais autônomo e preparado para enfrentar futuras crises sanitárias.
