SENADO FEDERAL – Reforma Tributária Pode Aumentar Carga Fiscal Sobre Projetos Esportivos, Ameaçando Sustentabilidade de Clubes Sem Fins Lucrativos, Alertam Debatedores.

Na última terça-feira (28), a Comissão de Esporte do Senado discutiu os impactos da reforma tributária proposta nas leis complementares, que pode trazer sérias consequências para os projetos esportivos sem fins lucrativos. Os participantes da audiência, entre eles representantes de clubes esportivos e membros da Receita Federal, expressaram preocupações sobre o aumento da carga tributária, que poderia chegar a 11,6%. Antes da reforma, esses projetos goziavam de isenção tributária federal, o que facilitava sua operação e desenvolvimento.

A senadora Leila Barros, presidente da comissão, destacou que as novas regras poderão onerar as entidades esportivas, colocando-as em uma posição desvantajosa em relação às Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). Enquanto estas últimas aplicam uma alíquota de 6% sobre a receita bruta, os clubes sem fins lucrativos, que reinvestem seus lucros em formação de atletas e programas sociais, perderão benefícios históricos. Leila enfatizou que a assimetria tributária precisa ser debatida, uma vez que favorece estruturas lucrativas em detrimento das que atuam em prol da sociedade.

Marco La Porta, presidente do Comitê Olímpico do Brasil, lamentou a insegurança jurídica que a reforma traz para os clubes. Ele afirmou que não se deve atacar o financiamento do esporte em busca de resolver problemas tributários do país, e que o setor almeja apenas manter seu status quo. O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, José Antônio Ferreira Freire, acrescentou preocupações relacionadas a outras mudanças legislativas, como a proposta de emenda à Constituição da Segurança Pública, que poderá reduzir os recursos destinados ao esporte sem fins lucrativos e, consequentemente, comprometer o desempenho brasileiro em competições internacionais.

O debate também abordou a preservação de alguns incentivos, como a redução de 60% nas alíquotas de impostos sobre atividades desportivas, o que poderá, em teoria, amenizar algumas das perdas. Contudo, advogados que representam o setor apontaram que a nova carga tributária coloca o esporte em uma situação de desigualdade, sendo o único direito social garantido pela Constituição sem imunidade tributária.

A diretora de Programas e Políticas de Incentivo ao Esporte do Ministério do Esporte, Carolinne Gomes Neves de Carvalho, tentou tranquilizar os participantes ao afirmar que os 10% de corte no incentivo fiscal não significam um aporte adicional obrigatório das empresas. Entretanto, ela admitiu a possibilidade de interpretações divergentes que possam gerar confusão.

Para finalizar a audiência, a senadora Leila Barros promoveu um minuto de silêncio em homenagem ao ex-jogador de basquete Oscar Schmidt, falecido recentemente, destacando a importância de valorizar as conquistas dos atletas brasileiros. A sessão evidenciou as múltiplas camadas de desafios que o esporte enfrenta e a necessidade urgente de um diálogo mais eficaz entre setor público e sociedade civil para garantir a viabilidade dos projetos esportivos sem fins lucrativos.

Sair da versão mobile