SENADO FEDERAL – Presidente Lula sanciona com vetos a lei sobre terras indígenas, incluindo o polêmico marco temporal de ocupação. Congresso tem poder de derrubar os vetos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou com 34 vetos a Lei 14.701, que trata do reconhecimento, demarcação, uso e gestão de terras indígenas. Um dos principais dispositivos vetados é o que estabelecia que os povos indígenas só teriam direito às terras que ocupavam ou reivindicavam em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da atual Constituição Federal.

A tese jurídica conhecida como marco temporal foi originada a partir de um projeto de lei apresentado pelo ex-deputado Homero Pereira e aprovado pelo Senado sob a relatoria do senador Marcos Rogério. No entanto, o presidente Lula vetou essa disposição, argumentando que ela contraria o interesse público e incorre em vício de inconstitucionalidade.

O veto ao marco temporal também é justificado pelo fato de que essa tese já foi rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e possui repercussão geral. O presidente ressalta ainda a dificuldade de comprovar a ocupação indígena na data de 5 de outubro de 1988, considerando a dinâmica de ocupação do território brasileiro.

Além do marco temporal, o presidente Lula também vetou outros dispositivos da lei, como a exploração econômica das terras indígenas por não indígenas, a limitação de uso e gozo das áreas pelos não indígenas e a ampliação das possibilidades de indenização às ocupações de boa-fé. Ele argumenta que essas medidas podem gerar incentivo à ocupação e benfeitorias após a demarcação das terras.

Outros trechos vetados por Lula incluem a possibilidade de ampliação de terras indígenas já demarcadas, a adequação de processos administrativos de demarcação não concluídos nas regras da nova lei e a retomada de áreas reservadas aos indígenas em casos de alteração dos traços culturais da comunidade.

O presidente também vetou disposições que permitiam a instalação de bases militares e outras intervenções militares sem consulta às comunidades indígenas envolvidas, bem como obras para expansão da malha viária e a instalação de equipamentos públicos. Ele justifica que essas medidas vão contra o interesse público e não preveem consulta prévia aos povos indígenas afetados.

A decisão final sobre a lei ainda pode ser revertida pelo Congresso Nacional, com a rejeição dos vetos presidenciais. Será necessária a maioria absoluta dos votos de deputados e senadores para isso. Quando a matéria foi analisada pelo Senado, obteve 43 votos a favor e 21 contrários. Já na Câmara, foram 283 votos a favor e 155 contrários.

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