Em seu discurso, Paim enfatizou que a libertação do povo negro em 1888 não garantiu a ele direitos fundamentais como saúde, educação, moradia e trabalho. “O nosso povo liberto foi jogado à margem”, criticou o senador, salientando que sem acesso a dignidade plena, a verdadeira democracia fica comprometida. Ele sublinhou que “não há nação com racismo” e que a vivência em um cenário de discriminação racial inviabiliza a construção de uma sociedade justa e igualitária.
O senador também trouxe à tona dados relevantes que evidenciam a situação precária da população negra no Brasil. Com base em informações da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Atlas da Violência de 2024, ele demonstrou que os negros continuam a ser os mais afetados, tanto em questões de desemprego quanto nos altos índices de violência. Essa realidade reforça a necessidade de políticas públicas que promovam inclusão social e ações afirmativas efetivas.
Ao longo de sua exposição, Paim reconheceu as iniciativas legislativas já encaminhadas, como o Estatuto da Igualdade Racial e a Lei de Cotas, mas destacou que mais deve ser feito. Ele defendeu novas propostas, incluindo a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, medidas que, segundo ele, podem melhorar as condições de vida e ampliar o acesso aos direitos básicos para todos, independente da cor da pele.
O senador concluiu seu discurso reafirmando seu compromisso de promover uma qualidade de vida digna para todos os brasileiros, sejam negros, brancos, indígenas ou qualquer outro grupo. “Queremos, sim, que seja aprovado o fim da jornada da 6×1”, afirmou, reforçando a urgência de ações concretas e justas para o avanço da igualdade racial no Brasil.
