O principal objetivo é fomentar conhecimento que impulsione estratégias de prevenção e tratamento, ajudando o Brasil a atingir a meta ambiciosa de erradicar as hepatites virais até 2030. Os pesquisadores examinaram dados relacionados a diferentes tipos de hepatites: A, B, C, D e E. De acordo com João Renato Rebello Pinho, coordenador da pesquisa, a percepção pública geralmente se concentra mais nas hepatites B e C, que são comuns tanto em formas agudas quanto crônicas.
Um dos achados mais alarmantes refere-se à hepatite A, que, embora possa ser evitada por vacinação, está em ascensão no Brasil, principalmente entre homens, devido a novas formas de transmissão ligadas ao sexo, como a prática de sexo oral/anal. Pinho destaca que essa modalidade de transmissão tem proliferado, inicialmente entre homens que fazem sexo com homens, mas rapidamente se espalhando para a população em geral. A hepatite A, que pode ser bastante severa, é transmitida principalmente por água ou alimentos contaminados, e não de forma convencional entre indivíduos, como se poderia imaginar.
As hepatites B e C, por sua vez, têm na transmissão sexual sua principal via de contágio, mas também se espalham através do contato com sangue e produtos sanguíneos. A transmissão de mãe para filho durante a gravidez ou o parto é outra forma importante, embora o Brasil tenha feito progressos significativos na prevenção da transmissão vertical da hepatite B.
Rebello Pinho também aborda a hepatite D, que geralmente é negligenciada devido a sua ocorrência em populações socioeconomicamente desfavorecidas. Esta forma é particularmente prevalente na região amazônica e apresenta um potencial grave para complicações como cirrose e câncer de fígado.
Por último, a hepatite E, embora menos conhecida e frequentemente menos severa, também requer atenção, com indicações de que pode ser transmitida por meio de alimentos contaminados. Apesar de sua importância, ainda é um tema pouco estudado no país, especialmente em relação ao seu vetor animal.
O trabalho desenvolvido por esses pesquisadores visa apoiar a elaboração de políticas e iniciativas que possam resultar em melhorias significativas na abordagem das hepatites virais no Brasil, contribuindo para um futuro mais saudável.





