SAÚDE – Câncer de pulmão avança no Brasil: 90% dos diagnósticos são feitos em estágios críticos, revela estudo do Instituto Lado a Lado pela Vida

O câncer de pulmão desponta como uma das patologias mais ameaçadoras na saúde pública global, com incidência alarmante, especialmente em seu estágio avançado. Um estudo realizado pelo Instituto Lado a Lado pela Vida revelou que, em 2023, cerca de 89,6% dos diagnósticos de câncer de pulmão no Brasil foram detectados em estágios críticos, ou seja, estágio 3 ou 4, em que as perspectivas de cura são significativamente reduzidas. Essa estatística é um reflexo preocupante da realidade enfrentada por muitos pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), onde 7.267 dos 14.145 diagnósticos analisados se encontravam nessas fases avançadas da doença.

Diante desse cenário, especialistas como o oncologista Igor Morbeck ressaltam a importância da conscientização e da detecção precoce. Segundo Morbeck, fatores de risco como tabagismo, sedentarismo e alimentação inadequada contribuem para o aumento do câncer de pulmão no país. Ele recomenda que todos, especialmente os tabagistas e ex-tabagistas, realizem tomografias anuais, um exame disponível no SUS que pode facilitar um diagnóstico mais cedo e, consequentemente, aumentar as chances de tratamento eficaz.

No entanto, a falta de um programa nacional de rastreamento para a doença é um dos principais entraves enfrentados. A ausência de diretrizes claras impede que muitos indivíduos busquem orientação médica até que os sintomas se tornem mais evidentes. Muitas vezes, as queixas iniciais—como tosse persistente ou falta de ar—são confundidas com condições menos graves, resultando em diagnósticos tardios e tratamentos inadequados.

A análise revela ainda outra questão preocupante: 40% dos registros de câncer de pulmão no SUS não apresentam informações cruciais sobre o tamanho do tumor ou a presença de metástases. Isso evidencia a necessidade urgente de uma melhoria na qualidade dos dados tratados e na formação do pessoal de saúde.

Além disso, o câncer de pulmão não é uma questão restrita a fumantes. Os jovens que utilizam cigarros eletrônicos também precisam de atenção, já que esse hábito pode gerar um novo conjunto de problemas de saúde no futuro. Em um ponto positivo, campanhas de conscientização, como a “Respire Agosto”, têm sido elaboradas para disseminar informações sobre a importância da detecção precoce e da prevenção. Mônica Chain Montone, que superou a doença em 2008 e teve uma recidiva em 2010, se tornou uma voz ativa nessa luta, defendendo a necessidade de políticas públicas mais robustas para facilitar o acesso a exames preventivos.

As estimativas são alarmantes: até 2028, o Brasil poderá enfrentar 35.380 novos casos de câncer de pulmão anualmente, uma clara indicação de que o tempo para a adoção de medidas efetivas e abrangentes é agora. Mobilizações sociais e ações governamentais coordenadas se tornam, portanto, essenciais para mitigar o impacto dessa doença devastadora.

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