A relação entre a amamentação e a diminuição dos fatores de risco cardiovascular está especialmente ligada ao tempo que a mulher dedica a esse ato. Análises sugerem que períodos mais longos de amamentação, de pelo menos 18 meses, podem trazer reduções ainda mais significativas: 12% menos risco de acidente vascular cerebral (AVC) e 14% menos de infarto. Essa proteção revelada por especialistas se deve a uma série de fatores hormonais e metabólicos que ocorrem durante a lactação.
Durante a gravidez, as mulheres passam por diversas alterações hormonais que aumentam a resistência à insulina e elevam níveis de colesterol, especialmente o LDL, conhecido como colesterol ruim. Porém, durante a lactação, o corpo experimenta uma espécie de reinicialização metabólica, com a produção de leite regulando os níveis de açúcar e melhorando a sensibilidade à insulina. Essa transformação ajuda na utilização de glicose, reduzindo riscos de desenvolver diabetes e oferecendo um alívio para o coração.
Outro aspecto relevante é a liberação de hormônios essenciais, como a ocitocina, que contribui para a proteção do miocárdio. Conhecido como o “hormônio do amor”, a ocitocina desempenha um papel vital ao permitir uma melhor circulação sanguínea, beneficiando diretamente a saúde cardiovascular. A lactação pode, assim, mitigar as mudanças hormonais negativas da gravidez, reduzindo riscos que afetam predominantemente as mulheres.
Além disso, as doenças cardiovasculares são responsáveis por uma significativa parcela da mortalidade feminina, superando até mesmo o câncer de mama. A conscientização sobre esses riscos, e a correlação com a amamentação, é de extrema importância, especialmente à luz do Dia Internacional da Amamentação, que destaca o valor do aleitamento materno.
Com o tema da Semana Mundial do Aleitamento Materno de 2026 centrado na criação de um futuro sustentável por meio da amamentação, é fundamental que tanto profissionais de saúde quanto a sociedade em geral promovam e apoiem práticas que favoreçam essa experiência. A amamentação traz benefícios inestimáveis – não apenas na proteção do recém-nascido, mas também como uma estratégia essencial para a saúde a longo prazo das mães.





