De acordo com Ramênia Vieira, jornalista e membro do Diracom, a censura atualmente se manifesta de maneiras sutis e muitas vezes surpreendentes, sendo exercida tanto por agentes públicos quanto por corporações privadas e plataformas digitais. Ela enfatizou que o silenciamento de vozes e a restrição da circulação de ideias são questões prementes, destacando que as mídias tradicionais frequentemente falham em promover um debate robusto e pluralizado.
Um dos aspectos interessantes do novo observatório é que ele se propõe a ser um espaço aberto para denúncias. Qualquer indivíduo que presencie ou vivencie casos de censura pode registrar sua situação na plataforma. As informações coletadas serão sistematizadas e servirão para a elaboração de relatórios e estratégias que visem defender o direito à comunicação. Vieira ressaltou que a contribuição de diversos atores sociais é crucial para compreensão desse fenômeno e para fortalecer a proteção da liberdade de expressão no Brasil.
Samira Castro, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), ressaltou que a criação do observatório é um avanço significativo na luta por direitos humanos, garantindo que a defesa do jornalismo não se limite a uma questão corporativa, mas sim a um argumento mais amplo de acesso à informação. Ela também alertou que as formas de censura se tornaram mais sofisticadas e menos perceptíveis para a sociedade, disso resultando em um ambiente de intimidação que muitas vezes se manifesta por meio de ações judiciais que visam desestabilizar profissionais da comunicação.
Leonardo Sakamoto, outro jornalista presente na discussão, destacou as vulnerabilidades enfrentadas por produtores independentes de conteúdo, que frequentemente desafiam interesses econômicos estabelecidos. Ele observou que, em muitas regiões brasileiras, as esferas de poder político e econômico convergem, resultando em pressões diretas sobre os jornalistas. Sakamoto ainda chamou a atenção para a prática de autocensura, onde profissionais optam por evitar pautas mais críticas em favor de conteúdos que sejam mais aceitáveis para a audiência.
O debate também incluiu a opinião de Humberto Vieira, diretor da organização Sleeping Giants, que criticou as grandes plataformas digitais por sua inclinação a censurar vozes marginalizadas. Ele se referiu a incidentes recentes em que perfis da comunidade LGBTQIAPN+ foram desativados durante a celebração do orgulho, ilustrando a necessidade de um olhar atento e crítico sobre as ações das big techs.
O evento ainda contou com a participação da antropóloga Fernanda Martins, que evidenciou os desafios enfrentados por mulheres em toda a América do Sul em virtude de ataques direcionados a suas identidades e corpos. Martins ressaltou a importância de um movimento de fortalecimento dos direitos, destacando como essas ameaças são comuns em diversos contextos regionais.
O lançamento do Observatório De Olho na Censura representa um novo capítulo na luta pela defesa da liberdade de expressão e pelo fortalecimento da democracia no Brasil, prometendo agir como um importante ponto de apoio para aqueles que buscam enfrentar as diversas formas de censura que emergem no cenário contemporâneo.





