Reforma Tributária: Fintechs e Empresas de Pagamento Debatem Impactos do RAD e Split Payment em Almoço Promovido pela Toku

A iminência da reforma tributária está gerando um intenso debate entre executivos e especialistas no setor financeiro, especialmente em relação aos novos mecanismos de Recolhimento pelo Adquirente (RAD) e split payment. No dia 11 de agosto, uma reunião promovida pela fintech Toku, oriunda do Chile, reuniu importantes representantes de fintechs, instituições bancárias e empresas de pagamento, evidenciando as implicações que essas mudanças trarão para o mercado.

Com a chegada da reforma, instituições financeiras e empresas de tecnologia precisarão reavaliar seus sistemas e processos para se adaptar às novas exigências. O modelo de RAD designa que o adquirente ou outro agente responsável por lidar com a liquidação financeira tome a iniciativa de recolher os tributos, como o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), em nome do fornecedor. Já o split payment atua separando os tributos durante a liquidação financeira, permitindo que os valores sejam direcionados diretamente à Receita Federal.

Embora a fintech Serasa Experian não tenha implementado o RAD em seus processos até o momento, sua diretora financeira, Ana Ferraro, mencionou que a empresa está rastreando de perto a introdução do split payment e avaliando suas funcionalidades práticas. Ferraro apontou a necessidade de manter o fluxo normal de pagamentos e a expectativa de um diálogo contínuo com seus fornecedores e clientes sobre a adoção do RAD.

A nota técnica que aborda a relação entre o documento fiscal eletrônico e as transações submetidas ao split payment é um ponto de atenção para o mercado. A expectativa é que a implementação desse novo sistema comece de forma gradual no primeiro semestre de 2027, a partir de março. A princípio, as operações B2B ocorrerão de forma optativa para Transferência Eletrônica de Fundos (TEF), seguido por outros métodos como TED e boletos, aumentando assim as opções disponíveis para os usuários.

Os profissionais do setor também levantam preocupações sobre como a coexistência entre o modelo tributário atual e o proposto pode ser gerenciada. Com a transição para o IBS e CBS, haverá mudanças significativas em diversas áreas, incluindo emissão de notas fiscais e precificação de produtos e serviços, o que exigirá um esforço considerável para as empresas adequadamente adaptar seus sistemas de cálculo e registros contábeis.

Ao mesmo tempo, a demanda crescente por soluções tecnológicas, como software e inteligência artificial, está criando novas oportunidades para fornecedores e desenvolvedores de tecnologia financeira. Muitas dessas ferramentas serão fundamentais na adequação às novas realidades fiscais que a reforma traz. O gerente da Toku, Raphael Emerick, destacou a necessidade de as empresas se prepararem para essas mudanças, ressaltando que muitos clientes ainda não compreendem completamente as implicações da reforma em suas operações diárias. A expectativa é que a evolução desse cenário abra novas possibilidades de negócios e colaborações entre empresas do setor.

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