Na última quinta-feira, o governo brasileiro oficializou a notificação às autoridades norte-americanas sobre o início de um processo de reciprocidade, em resposta ao que o Brasil considera um tarifaço injusto. Durante a administração de Donald Trump, o Brasil foi penalizado com duas tarifas: uma de 25% que incide especificamente sobre os produtos brasileiros e outra de 12,5% que afeta também outras nações. Apesar de existir a possibilidade de abordagens diferenciadas para certos produtos na pauta de exportação, as taxas ainda geram apreensão para o comércio exterior brasileiro.
Amorim expressou a incerteza em relação ao comportamento dos EUA, caracterizando a gestão norte-americana como imprevisível. Ele esclareceu que o objetivo não é punir os Estados Unidos, mas sim eliminar uma proteção que considera desproporcional às exportações do Brasil. O assessor afirmou que o governo brasileiro está em conformidade com as leis e regulamentos internacionais. Ele também destacou a necessidade de cautela na implementação de taxas equivalentes, reiterando que tal medida é uma estratégia econômica e não uma questão moral.
O processo de reciprocidade fundamenta-se na Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em 2025, e que conta com a aprovação do Congresso Nacional. A nota divulgada pelo Palácio do Planalto condena as tarifas americanas como injustificadas e arbitrárias, reafirmando que o Brasil defenderá sua posição em todas as esferas apropriadas. Além disso, o Ministério das Relações Exteriores também notificou o governo dos EUA sobre o início do procedimento, pedindo consultas diplomáticas.
O Planalto enfatizou a busca por soluções diplomáticas para evitar a aplicação de novas tarifas. As consultas visam mitigar ou anular os impactos das medidas tarifárias e reafirmam a disposição do governo brasileiro em priorizar o diálogo e a negociação nas relações internacionais. Amorim ainda observou que a implementação de novas políticas tarifárias requer um trâmite burocrático, o qual espera que ocorra de maneira rápida através da Câmara de Comércio Exterior (Camex), responsável por regular as normas de comércio exterior do Brasil.
Por fim, Amorim observou que um país que enfrenta agressões tarifárias tem o direito de se defender. Ele argumentou que a resposta não deve ser uma retaliação gratuita, mas sim uma medida estratégica que pode incentivá-los a reconsiderar as tarifas, lembrando que já houve casos em que os EUA revertem suas decisões quando percebem que as consequências económicas para eles são mais prejudiciais do que para o país afetado.




