Essa reviravolta levanta dúvidas sobre a habilidade de JHC em honrar compromissos com seus aliados. Lessa não apenas foi indicado formalmente pelo PDT, mas já se posicionava como candidato a vice quando foi surpreendido pela escolha de Célia, que ganhou força nos bastidores de forma inesperada. O que era para ser um projeto promissor para Lessa se transformou em um retrocesso significativo em sua carreira política.
Sem uma vaga na chapa majoritária, Ronaldo Lessa foi acomodado como segundo suplente de Marina Candia, que se inscreveu para a candidatura ao Senado. A primeira suplência foi destinada a Eudócia Caldas. Essa reconfiguração de papéis trouxe Lessa de um possível candidato a vice à condição de suplente da suplente, um empobrecimento de suas ambições políticas, especialmente após ter decidido romper com seu antigo grupo e abrir mão de um projeto eleitoral próprio.
A escolha de Célia Rocha, por sua vez, traz à tona o histórico tumultuado de sua gestão na Prefeitura de Arapiraca, marcada por descontentamento popular devido a atrasos salariais e dificuldades na saúde pública. Quando assumiu a prefeitura, um levantamento revelou um passivo de R$ 98,6 milhões deixado por gestões anteriores, incluindo R$ 33,7 milhões em dívidas com a folha de pagamento e cerca de R$ 64 milhões em débitos previdenciários. Durante sua administração, a falta de pagamento a prestadores de serviços e problemas relacionados à saúde pública já haviam sido amplamente noticiados.
Esse novo cenário político revela dois índices de desgaste: enquanto Célia Rocha volta ao centro das atenções com seu histórico problemático, Ronaldo Lessa se vê em um papel secundário, evidenciando seu rebaixamento político após uma série de decisões que culminaram em sua exclusão da chapa majoritária. A situação revela não apenas a fragilidade das alianças políticas, mas também a complexidade das dinâmicas eleitorais na política estadual.




