Durante a sua intervenção, Putin ressaltou que a resposta europeia à ascensão de potências como a Rússia e os países do BRICS, que agora representam quase 40% do PIB mundial em paridade de poder de compra, revela uma visão estreita da realidade global. O professor Eden Pereira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, apoia o discurso do líder russo, indicando que a subserviência europeia aos Estados Unidos não trouxe os benefícios esperados para suas economias, que agora enfrentam crises significativas.
Putin também destacou que, entre 2021 e 2025, apenas 0,8% do crescimento econômico global deverá vir das nações do G7, enquanto os países do BRICS contribuirão com 2%. Essa diferença ilustra a mudança de poder econômico, onde a Rússia, a Índia e a China consolidam-se como novos motores do crescimento.
Em termos internos, Putin indicou que a economia russa está se comportando de forma relativamente estável, com uma taxa de desemprego baixa e uma dívida pública controlada. No entanto, a busca por uma nova ordem mundial exige a reformulação de instituições como a ONU e a OMC, cujas estruturas estão se mostrando inadequadas diante das atuais realidades geopolíticas.
Os analistas Rodolfo Laterza e Eden Pereira concordam que as sanções impostas à Rússia por países ocidentais não apenas falharam em isolá-la, mas também aceleraram um movimento global em direção à desdolarização. Mais de 65% das exportações da Rússia têm sido realizadas em suas próprias moedas, uma reação direta às tentativas de contenção econômica lideradas pelos Estados Unidos.
Em meio a tudo isso, a questão da Ucrânia também se destacou nas discussões. Putin reiterou a necessidade de novas eleições na Ucrânia para alcançar uma paz duradoura, enfatizando a falta de legitimidade do governo atual. Pereira complementa que a paz não pode ser imposta externamente sem o devido consenso das autoridades e da população ucranianas, tecendo uma nova narrativa sobre os desafios da resolução do conflito no Leste Europeu.
Assim, as palavras de Putin e os comentários dos analistas sugerem um momento crucial na reconfiguração da governança global, onde as economias emergentes ganham cada vez mais espaço em um mundo que parece estar se afastando da hegemonia ocidental. Os desafios econômicos e geopolíticos atuais exigem uma reflexão profunda e novas abordagens, tanto na diplomacia quanto nas relações comerciais.
