Projeto Arretadas empodera mulheres em Alagoas com jiu-jítsu e autodefesa, promovendo autonomia e enfrentamento à violência no Agosto Lilás

Agosto Lilás: Projeto Arretadas e a Autonomia Feminina Através do Jiu-Jítsu

O mês de agosto, conhecido como Agosto Lilás, oferece uma oportunidade crucial de reflexão e ação contra a violência de gênero. Neste cenário, iniciativas que unem esporte, educação e garantia de direitos desempenham um papel fundamental na promoção da autonomia e segurança das mulheres. Um exemplo notável é o Projeto Arretadas, promovido pela Associação Das Alagoas Esporte de Combate e Movimento Integrado, uma organização alagoana que utiliza o jiu-jítsu e técnicas de autodefesa como ferramentas de fortalecimento da cidadania e prevenção à violência.

A história da associação remonta a 2013, quando um coletivo de jiu-jítsu foi estabelecido no bairro do Pinheiro, em Maceió. A partir desse espaço, diversas atividades voltadas à formação esportiva e cidadã foram realizadas até que as instalações foram comprometidas por um desastre socioambiental, vinculado à mineração da Braskem. A perda do tatame e do centro de treinamento não interrompeu os esforços do grupo; ao contrário, a organização pronto seu foco na reconstrução da comunidade, utilizando o esporte como um meio de reestabelecer vínculos.

Em 2016, a equipe percebeu a baixa participação feminina nas aulas de jiu-jítsu e, a partir dessa constatação, o Projeto Arretadas foi concebido. A proposta vai além da prática esportiva, incorporando aulas de defesa pessoal com o intuito de empoderar as mulheres e garantir que elas ocupem espaços tradicionalmente dominados por homens. Como destaca Sibele Lima, fundadora do projeto, o objetivo é mostrar que todas podem aprender a se proteger e se sentir pertencentes ao ambiente do jiu-jítsu.

O projeto cresceu rapidamente, expandindo suas atividades para outros bairros de Maceió e cidades vizinhas. No entanto, devido à falta de recursos, as aulas fixas de sábado estão temporariamente suspensas, embora as oficinas itinerantes ainda estejam em operação. A abordagem do projeto combina ensinamentos práticos de defesa física com discussões sobre temas relevantes como violência doméstica, direitos das mulheres e estratégias de prevenção, visando fortalecer a autonomia das participantes.

Sibele enfatiza que o foco não é ensinar a violência, mas sim promover a autodefesa como uma forma de prevenção e proteção. As oficinas incluem tanto momentos teóricos quanto práticos, e a intenção é preparar as mulheres para enfrentar situações de risco, proporcionando-lhes segurança e confiança.

Como parte de suas aspirações futuras, a associação busca ampliar o alcance do projeto por meio de uma abordagem multidisciplinar, integrando profissionais de diversas áreas para oferecer uma formação mais abrangente às participantes. A metodologia do Arretadas foi compartilhada em programas de capacitação voltados para Organizações da Sociedade Civil, com a missão de equipar essas entidades para pleitear recursos e manter suas atividades.

As ações da rede que apoia iniciativas como esta visam descentralizar os recursos da Lei de Incentivo ao Esporte, impactando positivamente um número significativo de pessoas e organizações que lutam por uma sociedade mais justa e igualitária. Com resultados tangíveis, o Projeto Arretadas se destaca como uma resposta efetiva e necessária à violência de gênero, reafirmando a força das mulheres na construção de um futuro mais seguro.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo