O cenário encontrado pelos parentes nesta fatídica tarde foi desolador: o corpo de dona Maria, que também era chamada de “dona Pureza”, estava no sofá, enquanto a filha, debilitada, foi encontrada na cama. As autoridades rapidamente foram acionadas, e peritos foram ao local para realizar uma análise detalhada da cena.
Em meio à dor e ao choque, uma carta deixada pela idosa sugere uma possível motivação para esse aparente ato de desespero. Maria expressava, em suas palavras, a profunda depressão gerada pelo isolamento em Flexal de Cima, uma área afetada pelo afundamento do solo devido à mineração de sal-gema, atividade econômica que trouxe impactos devastadores à comunidade. A desesperança quanto à compensação justa e à possibilidade de realocação foi um tema central em sua carta, refletindo um sentimento partilhado por muitos moradores da região.
O defensor público Ricardo Melro, que recentemente esteve com a idosa, expressou sua tristeza e consternação ao saber da tragédia. Ele destacou a luta constante pela realocação dos residentes afetados e criticou a morosidade das ações governamentais frente à grave situação enfrentada pelos moradores dos Flexais. Melro enfatizou que a saúde mental dos cidadãos está se deteriorando em meio ao descaso e à falta de respostas concretas.
Por sua vez, a Braskem, responsável pelas atividades de mineração na região, manifestou-se em nota oficial, relatando que está ciente do ocorrido e tem oferecido suporte psicológico aos moradores por meio de programas disponíveis no Espaço Flexal. Contudo, para muitos, essas medidas são vistas como insuficientes frente à magnitude dos problemas gerados pela atividade mineradora.
A tragédia que hoje impacta Flexal de Cima acende um alerta para as autoridades e reforça a urgência de soluções efetivas que garantam não apenas a segurança geológica, mas também a dignidade e o bem-estar dos moradores.






