A defensora pública Luciana Peles da Cunha, que coordena o Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, destacou que a propaganda relacionada às apostas está se infiltrando em todos os aspectos da vida cotidiana. “Esses anúncios se espalham pela televisão em diferentes horários, invadem os estádios e se tornaram comuns nos dispositivos móveis, sem qualquer consideração sobre o público que os visualiza”, afirmou. A defensora enfatizou que essa exposição excessiva é alarmante, especialmente pelo conteúdo das mensagens que muitas vezes transmitem ideias contraditórias.
Luciana chamou atenção para o fato de que a publicidade tenta apresentar as apostas como uma maneira fácil de obter uma renda extra, afirmando: “Nunca vi perder dinheiro como uma boa estratégia financeira.” Ela lembra que, na essência, jogos de azar são, na verdade, arriscados e, como ela enfatizou, “a banca sempre ganha”.
O defensor público Marcelo Dayrell Vivas, do Estado de São Paulo, apoiou a necessidade de regulamentações mais rigorosas, sugerindo que essas plataformas deveriam enfrentar restrições semelhantes às impostas à publicidade de produtos como cigarros. Segundo ele, essa mudança é urgente e já se reflete no aumento da demanda por serviços da defensoria pública, especialmente na área de saúde mental. Dayrell Vivas ressaltou que o sistema de saúde atual não está preparado para lidar com as consequências sociais e psicológicas causadas pelo aumento das apostas.
A economista Ione Amorim, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, acrescentou que o hábito de apostar já está enraizado na realidade familiar de muitas pessoas, tornando a tarefa de combater essa atividade prejudicial ainda mais complexa. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o gasto médio dos brasileiros com apostas digitais é de R$ 30 bilhões mensais, o que representa um impacto significativo na renda familiar e pode levar a um aumento no número de famílias em situação de inadimplência severa.
Esses dados evidenciam a urgência de um debate mais amplo sobre a regulamentação das apostas, considerando a necessidade de proteger os consumidores e atender à saúde mental da população afetada. As autoridades e a sociedade civil precisam se unir para desenvolver estratégias eficazes que abordem os desafios impostos por essa indústria em crescimento.
