A expectativa em torno da viagem de Lula é elevada, principalmente devido à possibilidade de conversas com o presidente dos EUA, Donald Trump. Este encontro ocorre em um momento marcado por novas tensões nas relações bilaterais. Há duas semanas, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) indicou a possibilidade de taxação de 25% sobre diversas importações brasileiras, uma medida que se baseia em alegações de práticas comerciais desleais do Brasil. Essas alegações incluem críticas ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, como o Pix, que teria prejudicado empresas americanas nas áreas de serviços financeiros e pagamentos eletrônicos.
Apesar das especulações, não há confirmação oficial de uma reunião bilateral entre Lula e Trump. Caso se concretize, seria o primeiro encontro entre os dois líderes desde a reunião na Casa Branca em maio, onde se discutiram soluções para as recentes questões tarifárias. O embaixador Philip Fox-Drummond Gough, do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que os contatos com os EUA seguem intensos, mas ainda não se definiu nada em relação ao encontro.
Além disso, a cúpula ocorre em um contexto delicado nas relações do Brasil com a União Europeia. Recentemente, o bloco europeu oficializou a proibição da importação de carnes e outros produtos brasileiros, uma decisão que entrará em vigor em setembro. Isso se soma à preocupação do governo brasileiro sobre a designação de facções criminosas nacionais como Organizações Terroristas Estrangeiras pelos EUA, algo que pode impactar ainda mais as relações comerciais e diplomáticas.
Enquanto Lula aguarda a confirmação de encontros, uma reunião já está agendada com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Este será um marco, já que ela é a primeira mulher a liderar o governo japonês, e há esperanças de que conversas possam escalar para um futuro acordo entre o Japão e o Mercosul.
Durante a cúpula, o presidente brasileiro participará de três eventos importantes, onde ele abordará temas como parcerias internacionais para o desenvolvimento, o fortalecimento da assistência oficial ao desenvolvimento dos países mais vulneráveis e a necessidade de reformar a governança global em instituições como a ONU e a OMC. Uma das sessões também terá como foco a Inteligência Artificial, um tema crescente nas agendas internacionais. A cúpula do G7, presidida pela França, acontece de 15 a 17 de junho, e Lula deve encontrar líderes de outras nações convidadas, como Índia e Coreia do Sul, em um esforço para reforçar a presença e a influência do Brasil em discussões globais.





