Embora os números sejam encorajadores, o desafio global de erradicar a fome ainda requer ações urgentes. O diretor-geral da FAO, QU Dongyu, destacou a necessidade de um compromisso político robusto e investimentos sustentados para tornar as dietas saudáveis mais acessíveis. A ministra brasileira Fernanda Machiaveli também enfatizou que, além das políticas governamentais, a eliminação da fome é uma meta alcançável quando há prioridade nessa esfera.
O relatório de 2026, que abrange análises feitas por várias instituições internacionais, aponta uma diminuição nas condições de insegurança alimentar moderada ou severa, que afeta 25,8% da população global, o que equivale a aproximadamente 2,1 bilhões de pessoas. Apesar dessa redução, a situação ainda está aquém dos níveis que eram comuns antes da pandemia.
As disparidades continentais são alarmantes. Enquanto a fome diminui em partes da Ásia e na América Latina, a África continua a ser a região mais afetada. Em 2025, estima-se que 20% da população africana, cerca de 309 milhões de pessoas, vivia em estado de fome. Mais da metade da população africana também enfrenta insegurança alimentar moderada ou severa, um problema que persiste com maior intensidade em áreas rurais e afeta desproporcionalmente as mulheres.
Os custos elevados das dietas saudáveis representam outro grande obstáculo. Em 2025, 2,69 bilhões de pessoas – ou 32,7% da população global – não conseguiram arcar com uma alimentação saudável, uma situação exacerbada na África, onde 66,6% da população enfrenta essa realidade. O relatório sublinha que, apesar das melhorias, o avanço na nutrição de mães e crianças permanece lento, colocando em risco as metas globais para 2030.
Projeções indicam que a situação pode se agravar devido a fatores como conflitos, mudanças climáticas e a redução da ajuda internacional. O fortalecimento dos sistemas agroalimentares é visto como essencial para atender às necessidades das populações mais vulneráveis, destacando a necessidade contínua de estratégias eficazes para mitigar tanto a fome quanto a insegurança alimentar no mundo.





