Na capital federal, Brasília, uma significativa mobilização de líderes e representantes indígenas de várias partes do Brasil se apresenta, unindo forças em um encontro crucial que demanda a criação da Comissão Nacional da Verdade Indígena (CNIV). Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), ao lado do Instituto de Políticas Relacionais (IPR) e do Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas da Universidade de Brasília (Obind/UnB), o evento teve início na última terça-feira (21) e se estenderá até a quinta-feira (23).
A pressa pela criação da CNIV é palpável, especialmente após o governo federal ter recebido, no final do ano passado, uma minuta de decreto presidencial apoiada por 58 instituições e pareceres jurídicos que respaldam a iniciativa. A expectativa é que a comissão não apenas investigue, mas também reconheça as violências sistemáticas sofridas pelos povos indígenas ao longo da história do Brasil, especialmente durante o regime militar.
Um dos pontos altos do encontro é a participação de membros do “Fórum Memória, Verdade, Reparação Integral, Não Repetição e Justiça para os Povos Indígenas”. Vítimas de violações cometidas durante a ditadura militar terão a oportunidade de testemunhar sobre suas experiências, revelando fatos obscuros como a existência de centros de detenção ilegal em reservas, administrados pelo antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Nesse contexto, a possibilidade de trabalho forçado e tortura física contra indígenas, como os guarani, é um tema central de discussão.
O evento também se destacará pela apresentação de oito relatórios inéditos que documentam as brutalidades enfrentadas pelos povos indígenas durante os anos de governo militar autoritário. Além disso, será lançado o livro intitulado Povos Indígenas e Justiça de Transição: Registros de Memórias que Denunciam Violências. A obra se destaca por compilar investigações e relatos de vítimas sobre crimes grotescos, incluindo tortura, genocídio e deslocamento forçado.
Considerada uma publicação histórica pelas organizações indígenas, a obra traz em sua capa a imagem de um ancião indígena que sofreu tortura, simbolizando a luta por memória e justiça. Com o encontro em andamento, a expectativa é que se avance para um reconhecimento e reparação mais profundos por parte do governo, algo essencial para a reconstrução da história e dignidade dos povos indígenas no Brasil.





