Pity Álvarez, ícone do rock argentino, é julgado por assassinato e divide opiniões enquanto defende sua sanidade mental após matar vizinho em 2018.

Cristian “Pity” Álvarez, um dos rostos mais conhecidos do rock argentino, está em meio a um intenso processo judicial em Buenos Aires. O cantor, que já foi o líder das influentes bandas Viejas Locas e Intoxicados, compareceu ao tribunal na última segunda-feira (10) para responder por um crime gravíssimo: o assassinato do seu vizinho, Cristian Díaz, ocorrido em julho de 2018. De acordo com os registros, após uma discussão acalorada, Pity disparou quatro tiros contra Díaz, resultando em sua morte imediata.

Após o crime, Pity se entregou à polícia e, em um desdobramento ocorrendo em 2022, conseguiu a prisão domiciliar. Surpreendentemente, em março de 2023, os juízes suspenderam o julgamento com base na alegação de que o artista não teria condição mental para ser julgado. Essa defesa baseou-se em um histórico de problemas psiquiátricos e dependência química, argumentando que esses fatores comprometem sua capacidade de enfrentar o processo legal.

Entretanto, a recente performance de Pity em um show no Estádio Mario Alberto Kempes, que atraiu uma multidão de 35 mil pessoas, levou os promotores a questionarem sua condição mental. Segundo depoimentos, ao chegar no tribunal, o roqueiro adotou uma postura peculiar, utilizando roupas que remetiam à sua carreira musical, incluindo um chapéu de pelúcia e uma camiseta com a frase de uma de suas músicas mais icônicas. Contudo, seu comportamento durante a audiência levantou suspeitas, com observadores notando que ele parecia agitado e desatento. Em um momento preocupante, Pity não conseguiu lembrar seu número de identidade e demonstrou dificuldades motoras ao se levantar para ir ao banheiro.

O juiz e os promotores argumentaram que o réu aparentava escolher momentos de lucidez, contradizendo a defesa que buscava alegar sua incapacidade de julgamento mental. Para reforçar a argumentação da acusação, uma nova avaliação médica concluiu que Pity possui condições suficientes para ser considerado apto para enfrentar o processo.

Dentre as testemunhas do julgamento, destaca-se Jacqueline Guzzardi, filha da vítima, que compartilhou sua dolorosa experiência. Ela evocou a cena angustiante em que encontrou o pai morto, expressando o impacto psicológico que o crime teve em sua vida. A conexão emocional e a dor familiar estiveram presentes, como um lembrete de que, por trás da fama do artista, há consequências profundamente humanas.

Pity Álvarez, que recentemente foi destaque na capa da revista Rolling Stone argentina, fez declarações polêmicas em entrevista, alegando que não acredita em uma condenação por parte do tribunal e que considera ter cumprido uma pena moral. Em meio a uma controvérsia que desafia a lógica do público, a caminhada de Pity através do sistema de justiça continua a ser acompanhada de perto, refletindo as tensões entre fama, responsabilidade e a busca pela verdade em um caso que, sem dúvida, deixará marcas na sociedade argentina.

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