A árvore exibe uma circunferência de 2,35 metros, o que significa que para envolvê-la, seria necessário o esforço conjunto de três adultos de braços abertos. A Trilha Transcarioca, em parceria com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), é responsável pelo projeto chamado Pró Espécies, um trabalho que visa mapear comunidades de plantas ameaçadas de extinção nos corredores florestais da trilha, que se estende por mais de 184 quilômetros, sendo considerada a primeira trilha de longo curso do país.
Estimada em mais de 200 anos, a árvore foi localizada através de monitoramentos aéreos realizados com drones, uma ferramenta que tem se mostrado vital para a conservação ambiental. Monsores destaca a importância dessa tecnologia, afirmando que “utilizamos câmeras para monitoramento de fauna e drones para mapear a copa das árvores”. O objetivo dessas ações é localizar e mapear espécies ameaçadas, apoiando diretamente a proteção das mesmas dentro da unidade de conservação. A ideia é coletar sementes e produzir mudas desses exemplares, buscando preservar a diversidade genética local e reforçar ações de restauração ecológica futuras.
Ainda na mesma trilha, uma descoberta ainda mais significativa foi feita: uma população composta por aproximadamente 50 indivíduos da raríssima espécie pau-brasil-folha-arruda-RJ, que é exclusiva do estado. Por muitos anos, o pau-brasil foi reconhecido apenas por três variedades: folha de Arruda, folha-de-café e folha-de-laranja. No entanto, pesquisas recentes sobre o genoma da espécie resultaram na identificação de cinco linhagens presentes no litoral brasileiro. Um estudo conduzido pela bióloga Patrícia da Rosa, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), confirmou a presença da população nativa de pau-brasil-folha-arruda-RJ.
Essa redescoberta é um avanço significativo para a conservação da Mata Atlântica, uma vez que indica a sobrevivência de linhagens nativas mesmo em áreas urbanas, apesar da intensa exploração e degradação de seu habitat ao longo dos séculos. O Parque Estadual da Pedra Branca se destaca como uma das maiores florestas urbanas do mundo, abrangendo uma vasta área que inclui partes de 17 bairros da zona oeste e sudoeste do Rio de Janeiro. A preservação de espécies como o pau-brasil é crucial para a manutenção do ecossistema e da biodiversidade na região.





