JUSTIÇA – Operação Retomada investiga esquema fraudulento que lesou 100 mil aposentados e pensionistas em mais de R$ 126 milhões na Paraíba e São Paulo.

Na última terça-feira, 16 de outubro, o Ministério Público da Paraíba (MP) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deram início à segunda fase da Operação Retomada, que se destina a investigar um extenso esquema de fraudes. Este esquema envolve magistrados, advogados, servidores públicos e associações fraudulentas, com o propósito de realizar descontos indevidos nos pagamentos destinados a aposentados e pensionistas. As fraudes detectadas já afetaram mais de 100 mil beneficiários em todo o Brasil, acumulando um prejuízo que ultrapassa os R$ 126 milhões.

Nesta fase da operação, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em diversas localidades, incluindo João Pessoa e Cabedelo, na Paraíba, e São Paulo. A primeira fase já havia sido realizada em dezembro do ano anterior, revelando a dimensão alarmante desse esquema criminoso.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), as investigações evidenciam a atuação de associações fraudulentas que ingressaram com ações coletivas em busca de benefícios ilícitos. Até o momento, 11 entidades foram identificadas, que ajuizaram mais de 230 ações coletivas apenas na Paraíba. Essas ações eram muitas vezes movidas em comarcas que não tinham conexão com as partes envolvidas, como a Comarca de Gurinhém, onde a organização criminosa mantinha controle.

O esquema não apenas envolvia a participação de agentes públicos e privados – incluindo servidores do Judiciário e advogados – mas também apresentava estratégias para obter decisões judiciais favoráveis que viabilizavam descontos fraudulentos nos benefícios previdenciários. Além disso, o grupo promovia a concessão de empréstimos fictícios a idosos, camuflados como contribuições a associações inexistentes e realizados por instituições financeiras informais, à margem da supervisão do Banco Central.

Para atrair aposentados e pensionistas, as associações utilizavam táticas enganosas, induzindo vítimas vulneráveis à assinatura de documentos que, embora parecessem termos de adesão, eram, na verdade, contratos de empréstimo com juros exorbitantes. O Ministério Público alerta que, em muitos casos, as vítimas só tomavam conhecimento das ações quando seus proventos eram afetados, e que essas demandas tramitavam sob segredo de justiça, limitando o direito de defesa.

O esquema ainda se estendia a liminares que buscavam a exclusão de registros negativos em cadastros de proteção ao crédito, a suspensão de descontos em contracheques e a manipulação de milhas de programas de fidelidade, garantindo benefícios financeiros indevidos aos participantes da fraude.

As ações fraudulentas, além de promoverem ganhos ilícitos para o grupo criminoso, acarretam graves consequências tanto para os aposentados lesados quanto para a confiança no sistema judicial e financeiro. A magnitude das fraudes revela uma organização sofisticada, capaz de burlar leis e explorar os mais vulneráveis da sociedade brasileira.

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