JUSTIÇA – Justiça Federal suspende leilão de arroz importado em ação contra aumento de preço após enchentes no RS

A Justiça Federal em Porto Alegre decidiu suspender o leilão para compra de até 300 mil toneladas de arroz importado, que estava programado para ocorrer nesta quinta-feira pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A iniciativa de adquirir o arroz de fora do país foi tomada pelo governo federal com o intuito de diminuir o preço do produto, que subiu cerca de 40% devido às enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul, responsável por 70% da produção nacional.

O juiz Bruno Fagundes de Oliveira, da 4ª Vara Federal de Porto Alegre, aceitou a solicitação de suspensão do leilão feita por parlamentares de oposição ao governo. Na visão do magistrado, não há evidências de que o arroz nacional sofrerá os impactos negativos previstos pelo governo devido às enchentes no estado gaúcho.

De acordo com Oliveira, ainda há dificuldades práticas e precariedade no estado devido aos efeitos diretos das enchentes, o que dificulta a representação adequada dos produtores e das entidades locais diante dos órgãos federais responsáveis pela importação do produto. Sendo assim, o juiz justificou a necessidade de suspender o leilão para preservar a igualdade e a livre concorrência.

A decisão judicial pode ser contestada pelas partes envolvidas. A Agência Brasil tentou entrar em contato com a Conab e a Advocacia-Geral da União (AGU) para obter mais informações, mas aguarda retorno.

Com a realização do leilão, o governo pretendia vender o arroz em embalagens específicas por R$ 4 o quilo, visando que o consumidor final pagasse no máximo R$ 20 pelo pacote de 5kg. O arroz importado seria destinado a diversos estabelecimentos comerciais em regiões metropolitanas, seguindo indicadores de insegurança alimentar.

Apesar das discussões e da suspensão do leilão, a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul garante que não há risco de falta de arroz no país. Os produtores alertam para a qualidade do produto estrangeiro e defendem a manutenção das condições adequadas para consumo.

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