A semaglutida é um agente da classe dos agonistas do receptor GLP-1, mais conhecidos como “canetas emagrecedoras”. O uso desse medicamento pode trazer esperança para muitos que lutam contra a obesidade, condição que muitas vezes é acompanhada de complicações, como doenças cardiovasculares. De acordo com informações do Ministério da Saúde, a maioria dos pacientes atendidos por essa unidade apresenta a forma mórbida da obesidade, e apenas uma fração destes está apta a realizar uma cirurgia bariátrica, que é outra alternativa de tratamento.
O projeto-piloto terá duração de dois anos e, durante esse período, indicadores como percentual de perda de peso, qualidade de vida e condições pós-operatórias serão monitorados com o intuito de adaptar o tratamento à realidade do SUS. A realização da pesquisa será viabilizada por recursos obtidos através da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com financiamento da produtora do medicamento.
Para participar do projeto, os pacientes devem ter sido diagnosticados com obesidade há mais de um ano e apresentar falhas documentadas em tratamentos convencionais, como dietas e exercícios físicos. Além disso, precisam demonstrar capacidade para entender e aplicar a medicação ou ter um cuidador que possa auxiliar nesse procedimento.
Recentemente, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) havia recomendado que a semaglutida e outro medicamento similar, a liraglutida, não fossem incorporados ao sistema, citando o alto custo como um fator determinante, com estimativas de impacto financeiro que poderiam ultrapassar R$ 8 bilhões anuais. Este projeto-piloto, portanto, representa uma tentativa do Ministério da Saúde de avaliar a viabilidade do uso dessas medicações em um contexto onde a obesidade é uma crescente preocupação de saúde pública.





