A sessão, que teve início pontualmente às 10h30, está programada para se estender por cerca de dez horas, com a expectativa de que o julgamento chegue ao veredito final ao longo da noite, se estendendo para a madrugada de quinta-feira (4). Os réus, Dr. Jairinho, desaprovado vereador, e Monique Medeiros Costa e Silva, companheira na época, enfrentam sérias acusações relacionadas à morte do filho de Monique, Henry Borel, apenas quatro anos, que faleceu em 8 de março de 2021. Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, o menino teria sido brutalmente agredido por Jairinho, enquanto Monique teria falhado em agir, o que levou à morte da criança.
O laudo do Instituto Médico Legal identificou o óbito como resultado de uma laceração hepática, causada por violência contundente. O tribunal já ouviu um total de 22 testemunhas até o momento, incluindo as partes envolvidas no processo. Na terça-feira (2), tanto Jairinho quanto Monique foram interrogados e ambos negaram qualquer responsabilidade no incidente. Desde a prisão do casal em 7 de abril de 2021, suas defesas se distanciaram, apresentando narrativas divergentes sobre os eventos da fatídica noite.
O julgamento, que começou em 25 de setembro e prosseguiu ininterruptamente, exceto por breves intervalos para alimentação e descanso, conta com um Conselho de Sentença formado por cinco homens e duas mulheres. As deliberações dos jurados, que representam a voz da sociedade, serão decisivas; a juíza Elizabeth Machado Louro, responsável pelo caso, determinará a pena se houver condenação.
O formato dos debates permite à acusação fazer sua exposição inicial, seguida pela argumentação da defesa. O pai de Henry, Leniel Borel, figura também no processo, atuando como assistente da acusação, o que possibilita uma dualidade de perspectivas na busca por justiça.
A expectativa gira em torno da complexidade das deliberações dos jurados, que devem responder a uma série de perguntas objetivas apontadas pela juíza, formulando seus votos com base nas evidências apresentadas. Este sistema judiciário brasileiro, que não utiliza a simples pergunta “o réu é culpado?”, exige uma análise metódica, onde cada questão respondida pavimenta o caminho para a decisão final.
Os desdobramentos da noite podem culminar em um veredito que, em caso de condenação, pode resultar na prisão imediata dos réus. No entanto, a defesa tem a possibilidade de recorrer em situações específicas, como nulidades ou erros na aplicação da pena. Assim, a sociedade aguarda ansiosamente a conclusão deste trágico e emblemático caso, que levanta questões profundas sobre responsabilidade e justiça.



