Inicialmente agendado para as 14h, o momento do depoimento foi contornado pelos advogados do senador, que enviaram uma petição ao delegado responsável, solicitando que a defesa escrita substituísse a apresentação oral. A situação é particularmente delicada, pois, na condição de acusado, Flávio não possui a obrigação legal de depor, o que o levou a optar por essa alternativa.
O delegado Antônio Carlos Knoll, à frente do inquérito, comunicou ao relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que o senador havia sido devidamente intimado, mas escolheu a defesa escrita. O inquérito examina uma postagem feita por Flávio nas redes sociais no dia 3 de janeiro, logo após a captura do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos.
Na referida publicação, Flávio insinuou que Lula estaria envolvido em atividades ilegais, enunciando alegações como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e ligações com terroristas, culminando com a frase: “Lula será delatado.” Em conclusão, a PF encerrou as investigações em junho, determinando que as declarações feitas pelo senador configuravam calúnia.
Na manifestação de defesa, Flávio Bolsonaro se opôs às alegações, afirmando que em nenhum momento ele atribuiu diretamente tais crimes a Lula. Segundo ele, a interpretação de sua postagem, que sugere ligação do presidente atual com as acusações, seria uma leitura equivocada e não se sustentaria frente ao próprio texto publicado.
Esse desenrolar da situação é significativo, especialmente considerando que o depoimento foi autorizado após um pedido de Paulo Gonet, procurador-geral da República, que citou a possibilidade de retratação por parte do senador. Tal ação poderia, eventualmente, eximi-lo de qualquer condenação no caso. A investigação agora retorna à PF, proporcionando mais um capítulo nas intensas disputas políticas do país.





