Ao analisar 50 casos de massacres no campo, que totalizaram 386 suspeitos entre mandantes e executores, o estudo apontou que 30 suspeitos não foram sequer indiciados pela Polícia Civil ou Militar. Dos 356 suspeitos restantes, 10 não foram denunciados pelo Ministério Público. Dos 345 suspeitos que se tornaram réus, apenas 43 foram condenados enquanto 188 foram absolvidos e 7 não foram julgados devido a diferentes circunstâncias.
Os pesquisadores envolvidos no estudo destacaram que a impunidade nos casos de massacres no campo está ligada a uma série de falhas ao longo do processo judicial, desde a etapa de instrução até a produção de provas. Segundo Diego Diehl, pesquisador do Instituto de Pesquisa, Direitos e Movimentos Sociais (IPDMS) e coordenador do estudo, o sistema judiciário brasileiro ainda deixa a desejar quanto à produção de provas consistentes e à rapidez na apuração dos casos.
Além disso, foram apontadas falhas na localização dos réus e no uso de recursos judiciais, o que resulta em uma tramitação morosa dos processos. A falta de adesão do Brasil ao Protocolo de Minnesota das Nações Unidas, que estabelece procedimentos para a coleta de provas em cenários de crime, também foi citada como um obstáculo para uma investigação eficiente.
Apesar de avanços pontuais, como a federalização de casos específicos, os estudiosos ressaltaram que ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que os mandantes e executores de massacres no campo sejam responsabilizados de maneira eficaz. A falta de interesse em produzir provas consistentes e a tendência a basear inquéritos e processos em evidências frágeis foram apontadas como desafios a serem superados pelo sistema judiciário brasileiro.







