DIREITOS HUMANOS – Cidadania PopRua é Lançada em São Paulo para Apoiar População em Situação de Rua e Anuncia Censo Nacional Inédito sobre a Questão.

Na última quinta-feira, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), em uma colaboração com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), apresentou o lançamento de sete novas unidades do programa Cidadania PopRua em São Paulo. O evento aconteceu no Sesc Santo Amaro e contou com a presença do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que revelou a realização do primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua, um passo considerado crucial para a coleta de dados oficiais sobre essa parcela da sociedade.

As unidades do Cidadania PopRua serão instaladas em bairros como Santo Amaro, Cidade Tiradentes, Santana, Cambuci, Vila Leopoldina, Brás e Sé. Essas estruturas têm o objetivo de funcionar como equipamentos públicos voltados ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, oferecendo uma gama de serviços que vão desde questões de direitos humanos até necessidades básicas, como higiene pessoal, hidratação e segurança de pertences.

O foco principal do programa é a redução de danos sociais e à saúde, especialmente para aqueles que enfrentam dependência de substâncias psicoativas. Além disso, a proposta visa facilitar o acesso a políticas públicas essenciais, promovendo uma escuta qualificada que possibilite o acesso à justiça e aos direitos civis.

A secretária-executiva do MDHC, Caroline Reis, destacou que o tratamento das pessoas em situação de rua requer uma abordagem especializada e multidisciplinar que respeite a diversidade e os direitos humanos. Segundo ela, o objetivo é acolher essas pessoas com dignidade, oferecendo serviços que incluem banho, acolhimento, corte de cabelo e espaço seguro para guardar seus pertences e até animais de estimação.

Já estão previstas 47 unidades do Cidadania PopRua em 21 estados e no Distrito Federal, integrando diretrizes do Plano Ruas Visíveis em ações concretas para atender essa população vulnerável.

Outro aspecto relevante do evento foi a apresentação do Censo Nacional da População em Situação de Rua, que será desenvolvido com uma metodologia própria, em colaboração com a sociedade civil. A meta é produzir dados que serão essenciais para a formulação de políticas públicas mais eficientes e integradas, voltadas para essa fatia da sociedade que historicamente tem sido negligenciada nas estatísticas oficiais.

Embora o Brasil tenha realizado censos demográficos desde 1972, esses recenseamentos têm se baseado predominantemente em domicílios fixos, o que deixa de fora aqueles que vivem nas ruas. O presidente do IBGE, Márcio Pochmann, enfatizou a necessidade de um censo específico que consiga abranger a realidade dessa população sem endereço fixo. Ele ressaltou que a experiência brasileira pode se tornar um modelo internacional, uma vez que ainda não há uma metodologia consolidada para essa abordagem em outros países.

A previsão inicial para realização desse censo inovador é em 2028, após um extenso planejamento e consulta a movimentos sociais e pesquisadores, buscando constantemente dialogar para melhorar as políticas públicas voltadas a essa população desafiante.

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