Após a negativa da Suprema Corte no final de junho, que classificou a tentativa de mudança como inconstitucional, Trump imediatamente solicitou ao Congresso que realizasse alterações legislativas. No entanto, a assinatura dos novos decretos parece ser uma medida estratégica que pretende eludir as limitações impostas pela decisão judicial. O governo argumenta que essas novas diretrizes ampliam a definição de quem pode ser inelegível à cidadania automática, incluindo aqueles que entram no país com a intenção explícita de dar à luz.
Durante a cerimônia de assinatura, o assessor da Casa Branca, Stephen Miller, enfatizou a proibição do “turismo de parto”, afirmando que tal prática será ilegal a partir daquele momento, com a promessa de que aqueles que buscassem vistos sob esses pretextos fraudulentos não teriam mais permissão para fazê-lo.
Estudos alavancados pelo Centro de Estudos sobre Imigração indicam que entre 20 mil e 25 mil mulheres teriam viajado aos EUA para esse fim específico em um ano. Além de mães estrangeiras, os novos decretos também afetam filhos de funcionários de governos estrangeiros e pessoas classificadas como inimigos estrangeiros. O impacto pode ser ainda mais amplificado se o Congresso aprovar uma proposta que visa revogar a cidadania automática em territórios americanos.
Em seu discurso, Trump expressou descontentamento com a decisão da Suprema Corte que manteve a cidadania por nascimento, descrevendo-a como uma “decisão infeliz”. Ele argumentou que o arranjo atual permite que pessoas explorem brechas, enfraquecendo a intenção original da 14ª Emenda, que garante o direito à cidadania para todos os nascidos no país. Apesar da ausência de números oficiais que quantifiquem o turismo de parto, a controvérsia em torno do tema permanece intensa e a mudança pode gerar novas batalhas judiciais à medida que suas implicações são testadas na arena legal.
A 14ª Emenda, que foi concebida para garantir cidadania a recém-nascidos, incluindo filhos de escravos, representa um pilar fundamental dos direitos civis nos Estados Unidos. Entretanto, a discussão em torno da cidadania por direito de nascimento continua a dividir opiniões e a suscitar debates sobre imigração, cidadania e os direitos humanos no país.
