Por outro lado, o Irã não ficou parado e aumentou suas ofensivas em países da região do Golfo, como Jordânia, Bahrein e Kuwait, atacando bases militares dos EUA e alvos civis, como usinas que garantem o abastecimento de água e energia. Essa escalada leva especialistas em segurança e geopolítica a questionar a eficácia do memorando de entendimento assinado entre as duas potências. O major-general português Agostinho Costa definiu o acordo como uma “mentira” ou uma “manobra diversionista”, alegando que sua assinatura foi motivada por uma iminente crise nas reservas de petróleo dos EUA.
Além das questões políticas, a Jordânia se destacou como um ponto estratégico, servindo como uma base logística fundamental para a Força Aérea americana devido à vulnerabilidade das bases no Golfo. Embora Israel tenha se mantido fora do conflito, sua infraestrutura, como o aeroporto Ben Gurion, continua a servir como um santuário para operações militares americanas.
Ali Ramos, cientista político especializado em geopolítica, indicou que os objetivos proclamados pelos EUA, como a neutralização do programa nuclear iraniano e do apoio a milícias na região, ainda não foram alcançados. Em vez disso, a abordagem militar dos EUA pode estar gerando legitimidade adicional para o regime iraniano, especialmente ao provocar danos que afetam diretamente a população civil, como a recente destruição de uma fábrica de dessalinização que deixou milhares sem acesso a água.
As ações dos EUA, conforme observou Costa, não demonstram uma nova estratégia efetiva; eles continuam utilizando métodos de bombardear que historicamente têm falhado. As capacidades ofensivas do Irã têm se mostrado eficazes, desafiando a percepção de que sua força militar está debilitada. O cenário atual é descrito como uma “gestão da escalada do conflito”, indicando que, apesar das hostilidades, ainda há espaço para uma intensificação das ações, sem que se chegue a um verdadeiro impasse.
A situação no Estreito de Ormuz, um ponto crucial para o tráfego de petróleo global, também carrega implicações importantes. Enquanto os EUA buscam reestabelecer seu domínio na área, o governo iraniano propõe um novo regime de gestão para o estreito, que considera sua segurança nacional. Assim, a contínua luta por hegemonia no Oriente Médio se desdobra em uma complexa teia de interesses políticos e militares, onde o futuro é incerto e a historia de conflitos parece se repetir.





