Autoridades brasileiras afirmam que a imposição dessa sobretaxa seria prejudicial para ambos os países, especialmente porque os Estados Unidos já mantêm um superávit comercial em relação ao Brasil. Nesse sentido, o governo considera que existem possibilidades, embora desafiadoras, de chegar a um entendimento tarifário que possa beneficiar ambos os lados.
O Brasil refutou as alegações americanas, caracterizando-as como tentativas de interferência em assuntos internos e um exemplo do protecionismo comercial unilateral por parte de Washington. O governo brasileiro argumenta que a tarifa média aplicada sobre as importações dos EUA é de apenas 2,7%, o que, segundo a administração, não justifica a ideia de que empresas norte-americanas enfrentariam dificuldades para acessar o mercado local.
Atualmente, o Brasil tem um novo prazo até 15 de julho para formalizar um acordo, uma extensão que visa dar mais tempo aos negociadores brasileiros, uma vez que o cronograma original, estabelecido após a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump no mês passado, era de apenas 30 dias. Essa nova data, no entanto, pode ser prorrogada.
Um dos principais obstáculos nas negociações é a agenda ocupada dos EUA, com diversas discussões tarifárias em andamento globalmente, além de um conflito militar no Oriente Médio envolvendo o Irã. Em meio a isso, há a possibilidade de um novo encontro entre Lula e Trump durante a cúpula do G7, marcada para ocorrer na França entre os dias 15 a 17 de junho, embora um encontro bilateral ainda não esteja confirmado.
Além das questões tarifárias, o governo brasileiro manifestou interesse em evitar a inclusão de outras pautas que possam implicar em demandas desmedidas do lado americano. No entanto, a USTR já impôs tarifas adicionais a 60 países para combater práticas ligadas ao trabalho análogo à escravidão, o que é visto por Brasília como um esforço destinado a reforçar uma taxação que já havia sido derrubada pela Suprema Corte dos EUA. Essa nova tarifa, que afeta também aliados históricos dos EUA, como Japão e União Europeia, é entendida como um movimento de reestruturação nas bases tarifárias globais.





