Astrini argumenta que os Estados Unidos estão se beneficiando comercialmente, visto que não implementam medidas de proteção ambiental, como a redução das emissões de carbono. Ele ressalta que existem diversos outros países que também enfrentam problemas de desmatamento, mas cujos produtos não estão sujeitos a taxas similares. “Essa é uma estratégia política”, afirma, ressaltando que a motivação para a imposição tarifária está muito mais ligada a interesses comerciais do que a questões de sustentabilidade.
O pesquisador ainda destaca os avanços realizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que tem intensificado a fiscalização e, com o suporte financeiro do Fundo Amazônia, contribuído para a redução do desmatamento. Dados do MapBiomas apontam que, em 2025, o desmatamento no Brasil caiu para menos de 1 milhão de hectares pela primeira vez desde 2019, totalizando 984.794 hectares, uma diminuição de 20,6% em relação ao ano anterior.
Importante frisar que, em 2025, os biomas da Amazônia e do Cerrado foram responsáveis por mais de 84% do desmatamento. O Cerrado, por exemplo, apresentou a maior área desmatada, com 540.614 hectares, embora tivesse registrado uma queda de 16,9% em relação a 2024. Já na Amazônia, o desmatamento caiu 23,5%, somando 289.478 hectares.
O estudo ainda revela que o Pantanal teve a maior redução proporcional, com uma queda de 48,4%. Nos últimos sete anos, a agropecuária foi responsável por mais de 97% da perda de vegetação nativa, enquanto 99% do desmatamento associado ao garimpo ocorreu na Amazônia, especialmente no Pará. Por outro lado, a expansão urbana também se mostrou preocupante, com um aumento de 7% em relação ao ano anterior, concentrando-se nos biomas do Cerrado e Amazônia, que somaram mais de 60% da perda de áreas nativas relacionadas à urbanização.





