INTERNACIONAL – EUA classificam facções brasileiras como terroristas, gerando tensões econômicas e críticas do governo sobre possíveis intervenções em assuntos internos do Brasil.

Na última sexta-feira, 5 de outubro, entrou em vigor a controversa decisão do governo dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações terroristas. A medida, que visa endurecer o combate ao crime organizado, foi anunciada no dia 28 de maio e já começa a gerar repercussões significativas em diversas esferas, especialmente na economia e nas relações internacionais do Brasil.

A reação do governo brasileiro não tardou a se manifestar. O Palácio do Planalto criticou a ação americana, destacando que a classificação pode abrir precedentes para uma eventual intervenção dos EUA nos assuntos internos do país, sob a justificativa de combate ao terrorismo. As autoridades brasileiras enfatizam que o enfrentamento ao crime deve ocorrer por meio da cooperação internacional, respeitando sempre a soberania nacional.

Especialistas que analisam a situação alertam para as possíveis consequências graves dessa decisão, que, segundo eles, pode ameaçar a soberania do Brasil e servir como um pretexto para intervenções externas. Além disso, argumentam que a nova classificação pode prejudicar a economia brasileira, impactando setores como turismo, comércio exterior, investimentos e o sistema financeiro.

A administração de Donald Trump já havia classificado previamente cartéis mexicanos e organizações criminosas de outros países latino-americanos, como Venezuela e Colômbia, como terroristas. Em março, o governo americano formou a coalizão Escudo das Américas, com a intenção de combater o narcotráfico e reduzir a influência econômica de rivais como China e Rússia na região.

A decisão mais recente do governo dos EUA também coincide com uma recomendação do Escritório do Representante de Comércio para taxar as importações brasileiras em 25%, alegando práticas comerciais desleais. Este documento, além disso, critica o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, conhecido como Pix, sob a alegação de que prejudica empresas estadunidenses.

Logo após a crítica ao Pix, o governo Trump declarou a intenção de impor tarifas adicionais de 10% a 12,5% sobre produtos importados de 60 países, incluindo o Brasil. Essa medida se baseia em alegações de falhas no combate ao trabalho forçado. O governo brasileiro contestou essas justificativas, argumentando que elas escondem uma agenda protecionista unilateral. O Itamaraty indicou que o Brasil poderia utilizar a Lei de Reciprocidade para implementar medidas comerciais em resposta às barreiras impostas pelos EUA.

Em suma, a nova decisão dos EUA e as subsequentes ações comerciais suscitam um cenário de tensão e incertezas nas relações entre Brasil e Estados Unidos, com potenciais repercussões significativas na economia brasileira e na soberania nacional.

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