INTERNACIONAL – Cuba e EUA discutem embargos em reunião discreta; diplomatas cubanos insistem na urgência de suspender bloqueio energético durante diálogo em Havana.

Em um recente intercâmbio diplomático em Havana, Alejandro García, diretor-geral adjunto do Ministério das Relações Exteriores de Cuba voltado para os Estados Unidos, confirmou a realização de uma reunião entre representantes cubanos e americanos. O encontro, que aconteceu na capital cubana, teve como foco principal a reclamação da visão cubana sobre o embargo energético imposto pelos Estados Unidos.

O diplomata especificou que a delegação americana era composta por secretários-adjuntos do Departamento de Estado, enquanto os cubanos estavam representados em um nível de vice-ministro das Relações Exteriores. Durante a conversa, García caracterizou o diálogo como respeitoso e profissional, enfatizando que “nenhuma das partes estabeleceu prazos ou fez declarações coercitivas”, contradizendo reportagens da mídia americana.

A questão do embargo energético, mencionado como uma “prioridade máxima” pela delegação cubana, é vista pelo governo de Havana como uma forma de coerção econômica desproporcional. Segundo García, essa prática é considerada não apenas uma punição à população cubana, mas também uma forma de chantagem que limita a capacidade de países soberanos de exportar combustível para a ilha, infringindo os princípios do livre comércio.

A situação se agravou desde o início de 2020, quando o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou as restrições econômicas, declarando Cuba uma “ameaça extraordinária” à segurança nacional americana. Essa classificação possibilita que Washington aplique sanções a nações que tentam fornecer petróleo à ilha, resultando em um déficit de combustíveis que impacta diretamente a vida cotidiana dos cubanos.

O governo cubano manifestou sua disposição para o diálogo com os Estados Unidos, reafirmando que tal comunicação deve ocorrer em um ambiente de respeito mútuo e sem intervenções externas. Nesse contexto, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel comentou em uma entrevista que existem inúmeras áreas — como ciência, migração, combate ao narcotráfico, meio ambiente e comércio — que poderiam ser exploradas em negociações. No entanto, ele enfatizou que esses diálogos devem ocorrer “em termos de igualdade”, assegurando a soberania e autodeterminação do país.

Díaz-Canel reforçou sua posição em uma recente participação em um programa da NBC, onde destacou a necessidade de que as negociações ocorram sem pressões externas. Assim, Cuba continua aberta ao diálogo, buscando restaurar relações baseadas em respeito e entendimento mútuo, mesmo em meio a desafios históricos e políticos.

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