Após suspenderem o financiamento à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) no final de janeiro, os governos da Suécia e do Canadá decidiram retomar os repasses em meio a investigações e esforços da agência para lidar com acusações de colaboração com o ataque do Hamas em outubro de 2023.
O ministro do Desenvolvimento Internacional do Canadá, Ahmed Hussen, afirmou que a retomada do financiamento se baseia nos robustos processos de investigação em curso e nos esforços da UNRWA para responder às graves alegações contra alguns de seus funcionários, implementando medidas internas para melhorar a supervisão e a responsabilidade. A Suécia, por sua vez, decidiu transferir 200 milhões de coroas suecas para a UNRWA devido à situação humanitária em Gaza e aos compromissos da agência com as investigações.
No entanto, as decisões foram duramente criticadas por Israel, que considera a retomada do financiamento um erro grave, alegando que isso constitui um apoio tácito aos funcionários acusados de envolvimento em atividades terroristas. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Lior Haiat, ressaltou que a UNRWA é parte do problema e instou os governos do Canadá e da Suécia a interromperem o financiamento à agência.
Além disso, a União Europeia também anunciou a retomada dos repasses para a UNRWA, com a transferência de € 50 milhões de euros. No entanto, € 16 milhões foram retidos até que a agência cumpra todos os acordos firmados. O Alto-Representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Josep Borrell Fontelles, destacou a importância da UNRWA como ator insubstituível na ajuda humanitária em Gaza.
Enquanto isso, novas acusações surgiram, com Israel afirmando que 450 funcionários da UNRWA seriam “agentes militares” do Hamas. Em resposta, a agência acusou Israel de torturar funcionários para confessarem ligações com o grupo terrorista. A suspensão de doações de grandes países, como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, totalizando U$S 450 milhões, coloca em risco a continuidade das operações da UNRWA.
Com o risco de paralisação devido aos cortes de financiamento, o chefe da UNRWA, Philippe Lazzarini, espera que mais países retomem os repasses após a publicação de um relatório da ONU sobre as acusações de Israel. Enquanto isso, o governo brasileiro criticou a suspensão da ajuda humanitária à Gaza e prometeu novos aportes para ações na região, destacando a importância de não punir toda uma população por erros individuais.
Em meio a conflitos e desafios humanitários, a situação em Gaza continua crítica, com funcionários da UNRWA sendo mortos e instalações da ONU sendo atingidas por bombardeios. O apelo agora é por uma investigação independente e por responsabilização dos envolvidos para garantir a justiça e a proteção dos direitos humanos na região.





